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Variedades Como Bonnie Tyler misturou a música pop, rock e country com sua voz rouca

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Bonnie Tyler morreu na quarta-feira (8) em um hospital em Portugal, aos 75 anos. (Foto: Reprodução)

Bonnie Tyler, a cantora galesa que, com um penteado armado e descolorido e uma voz ao mesmo tempo marcada e operística, chegou ao primeiro lugar com “Total Eclipse of the Heart”, um dos hinos pop dos anos 1980, morreu na quarta-feira (8) em um hospital em Portugal, aos 75 anos.

A causa foi uma doença, de acordo com uma publicação em sua conta oficial no Facebook. Ela passou por uma cirurgia intestinal de emergência em um hospital em Faro, Portugal, onde tinha uma casa, informou a conta do Facebook em maio. Ela foi temporariamente colocada em coma induzido e permaneceu na UTI depois disso, segundo a publicação.

Tyler alcançou seu auge comercial com um punhado de sucessos no pico da era MTV, nenhum mais inesquecível do que “Total Eclipse”.

Essa poderosa balada, com seu apelo repetido para “turn around, bright eyes” (vire-se, olhos brilhantes), evocava a fome do amor não correspondido e foi escrita por Jim Steinman, que a Rolling Stone uma vez chamou de “o senhor do exagero mega-pop”.

Agora firmemente estabelecida como um clássico cultural, com audiência inevitavelmente disparando durante eclipses, a música tem mais de 1 bilhão de reproduções tanto no Spotify quanto no YouTube.

Navegando uma mistura de country, pop e rock, com uma voz rouca que rivalizava com Rod Stewart ou Kim Carnes em cada nuance, Tyler emergiu da cena de pub-rock galesa em meados dos anos 1970.

Ela conquistou seu primeiro sucesso mundial em 1977 e 1978 com “It’s a Heartache”. Uma balada cadenciada sobre um amor que deu errado, a canção saiu de seu segundo álbum, intitulado “It’s a Heartache” nos Estados Unidos e “Natural Force” na Inglaterra.

Ela enfrentou bastante competição com a música, já que a futura estrela country Juice Newton e a ex-destaque de girl group Ronnie Spector lançaram suas próprias versões em 1978.

Mas foi a versão de Tyler que liderou as paradas na Austrália, Canadá e em toda a Europa, subindo para o terceiro lugar na parada pop dos Estados Unidos e o décimo lugar na parada country.

Fazer sucesso na América não era pouca coisa para a tímida filha de um mineiro de carvão. “Foi ótimo, entrar na limusine e, ao sintonizar as estações de rádio, estar tocando em praticamente todas elas”, ela relembrou em uma entrevista em vídeo décadas depois. “Era tipo: ‘Abaixem as janelas, essa sou eu!'”

Ainda assim, pouco poderia tê-la preparado para o sucesso estrondoso de “Total Eclipse of the Heart”, uma música que ela só teve a chance de gravar por um golpe de sorte para ela —e azar para Meat Loaf.

No início dos anos 1980, Tyler foi contratada pela Sony e queria passar de seu som inicial com influência country para algo mais digno de arenas.

Depois de ver Meat Loaf cantando na TV, ela disse a Muff Winwood, um produtor da gravadora, que deveria trabalhar com Steinman, que escreveu todas as faixas do álbum de estreia de grande sucesso de Meat Loaf em 1977, “Bat Out of Hell”, incluindo os hits “Paradise by the Dashboard Light” e “Two Out of Three Ain’t Bad”.

“Muff olhou para mim como se eu fosse maluca e me disse que Jim nunca faria isso”, Tyler relembrou depois. “‘Só quero que você pergunte a ele’, eu disse.”

Intrigado pela voz dela, Steinman a convidou para seu apartamento em Manhattan para ensaiar “Total Eclipse of the Heart” —que, ele contou a ela, havia sido originalmente escrita para um musical inacabado sobre o vampiro Nosferatu.

Com sua grandiosidade de ópera rock beirando o wagneriano, a música parecia um encaixe natural para Meat Loaf. Mas “na época em que estávamos gravando”, Tyler contou depois ao The Guardian, “Meat Loaf tinha perdido a voz”.

Então Steinman deu a música para ela, para usar em seu álbum de 1983 “Faster Than the Speed of Night”, no qual ele foi produtor.

“Depois que se tornou um sucesso”, Tyler relembrou, “Meat Loaf sempre dizia —’Droga. Essa música deveria ter sido minha!'”

Tyler recebeu indicações ao Grammy tanto pela música —na categoria de melhor performance vocal pop— quanto pelo álbum —em melhor performance vocal de rock. Em 2023, a Rolling Stone listou “Total Eclipse” na posição 56 em sua pesquisa das 200 melhores músicas dos anos 1980, descrevendo-a como “Armagedom das Power Ballads”.

Gaynor Hopkins nasceu em 8 de junho de 1951, em Skewen, um vilarejo no sul do País de Gales. Ela era uma dos sete filhos de Glyndwr Hopkins, um mineiro de carvão, e Elsie (Lewis) Hopkins. Ela adotou seu nome artístico nos anos 1970 para evitar ser confundida com outra cantora galesa, Mary Hopkin.

Em uma entrevista de 2012 ao The Guardian, Tyler relembrou ter crescido em um lar musical. Ela desenvolveu interesse precoce pelo canto, e sua mãe a aconselhou: “Acredite em si mesma, porque ninguém mais vai fazer isso por você”.

Ela deixou a escola aos 16 anos e trabalhou em uma mercearia enquanto sonhava com uma carreira musical como a de seus ídolos Janis Joplin e Tina Turner.

Ela ganhou experiência cantando com bandas locais de R&B e eventualmente foi descoberta por um caça-talentos enquanto se apresentava em um clube em Swansea, no País de Gales, em 1975. Com a força de demos solo, Tyler conseguiu um contrato com a RCA.

“Lost in France”, uma música ensolarada de 1976 incluída em seu álbum de estreia, “The World Starts Tonight” (1977), entrou no Top 10 na Grã-Bretanha. Seu single seguinte, “More Than a Lover”, subiu para o 27º lugar.

Após o sucesso de “It’s a Heartache”, críticos notaram suas semelhanças vocais com Rod Stewart, já uma grande estrela. “Quando você é nova, é tudo o que as pessoas conseguem pensar: ‘Com quem ela se parece?'”, Tyler disse à Rolling Stone em 1978. “Ah, eu sei que é um elogio, mas não sei o que ele pensa sobre isso.”

“Não posso evitar se tenho uma voz rouca”, ela acrescentou, referindo-se ao timbre maduro que sua voz havia adquirido após uma cirurgia em 1977 para remover nódulos em suas cordas vocais.

Ela levou essa voz ao limite em “Total Eclipse of the Heart”, que foi seu maior sucesso, mas não o único. “Take Me Back”, do mesmo álbum, chegou ao 46º lugar nos EUA. Surfando na onda do synth-pop, ela alcançou o 34º lugar com “Holding Out for a Hero”, da trilha sonora do filme musical de 1984 “Footloose”, estrelado por Kevin Bacon.

Tyler continuou a gravar, lançando mais de uma dúzia de álbuns ao longo dos anos 1990 e além. Seu último álbum, “In Berlin”, foi lançado em 2024.

Em 1973, ela se casou com Robert Sullivan, um judoca olímpico britânico que se tornou incorporador imobiliário. No final dos anos 1980, eles se estabeleceram na região do Algarve, no sul de Portugal. Em 2023, ela publicou uma autobiografia, “Straight From the Heart”. As informações são do jornal The New York Times.

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