Terça-feira, 05 de maio de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
23°
Fair

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Curiosidades Como o lugar habitado mais remoto da Terra tenta proteger sua única fonte de renda

Compartilhe esta notícia:

O arquipélago de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul, fica a 2,4 mil quilômetros de distância do local habitado mais próximo, a ilha de Santa Helena. (Foto: Reprodução)

Soa o gongo da pesca. São cinco horas da manhã e o som de um martelo batendo em um antigo cilindro de oxigênio me acorda. É dia de pesca em Tristão da Cunha, um pedaço de terra no sul do Oceano Atlântico, onde moram pouco mais de 200 pessoas.

O assentamento humano mais próximo deste território britânico fica a mais de 2,4 mil quilômetros de distância.

Quando o gongo silencia, os cães começam a latir, motores são ligados e o som das botas de borracha no chão ecoa pelo ar. Os pescadores se dirigem ao porto Callshot, conhecido como “a Praia”, para colocar iscas e preparar seus barcos.

Eles têm apenas 18 a 72 dias de pesca por temporada. Por isso, cada oportunidade é importante.

Os pescadores irão atrás do produto mais valioso da ilha: a lagosta-de-são-paulo (Jasus paulensis), encontrada apenas perto de ilhas remotas nos oceanos mais ao sul do planeta.

Apreciadas pela sua carne doce e delicada, uma única cauda pode valor US$ 39 (cerca de R$ 207) no mercado norte-americano. As lagostas também são vendidas no Japão e no Reino Unido.

Lá, nas águas frias e temperadas do arquipélago de Tristão da Cunha, esses crustáceos vivem perto da costa, em profundidades de até 200 metros.

Mas a ilha nem sempre conseguiu sobreviver da sua riqueza em lagostas. Décadas atrás, a pesca excessiva fez com que o número de crustáceos na região se reduzisse significativamente.

Atualmente, os tristanitas dependem da captura das lagostas. Mas eles também sabem que, sem proteção adequada, elas correm sérios riscos.

“Sempre dependemos do oceano como fonte de alimento, gerenciando da melhor forma possível. Ou seja, sem tirar mais do que o necessário”, explica o chefe do Departamento de Pesca de Tristão da Cunha, James Glass.

Para ele, “este é um local precioso e queremos que permaneça assim”.

“É o nosso sustento”, afirma o pescador Shane Green. “Sem o oceano, nossa comunidade não funcionaria.”

Agora, com os oceanos do planeta enfrentando pressões cada vez maiores, as mudanças climáticas, espécies invasoras e a pesca industrial ilegal ameaçam o ecossistema marinho e a principal fonte de renda da ilha.

Os moradores de Tristão da Cunha estão determinados a garantir a sobrevivência das lagostas-de-são-paulo e a deles próprios.

Os pescadores da ilha trabalham em meio à quinta maior área marinha protegida (AMP) do planeta. Ela cobre 687 mil quilômetros quadrados de oceano.

Em 91% das águas territoriais da ilha, a pesca comercial é proibida. Nas áreas restantes, existem quotas rigorosas, limites de tamanho e monitoramento a bordo. E a vigilância via satélite ajuda a detectar e impedir atividades ilegais.

Jason Green e seu parceiro de pesca, Dean Repetto, navegam juntos há uma década. Como a maioria dos tristanitas, sua conexão ancestral com o mar data de mais de um século atrás.

“Na minha família, a pesca é passada de geração em geração”, conta Repetto. Ele também trabalha como mecânico no Departamento de Pesca de Tristão da Cunha.

Os 229 moradores de Tristão da Cunha vivem em extremo isolamento, rodeados por milhões de quilômetros quadrados de mar aberto.

Seu vizinho habitado mais próximo é a ilha de Santa Helena, onde Napoleão Bonaparte (1769-1821) viveu seus últimos dias. Ela fica a 2.414 km ao norte de Tristão.

Montevidéu, no Uruguai, fica a 4.023 km a oeste da ilha. E, ao sul, algumas poucas ilhas desabitadas separam Tristão da Cunha do gelo deserto da Antártida.

Entre 2017 e 2019, o governo de Tristão da Cunha, o Conselho da Ilha, operadores de pesca e cientistas da conservação elaboraram um plano.

“Precisávamos dizer (ao Reino Unido): ‘É isso o que Tristão quer'”, explica Schofield.

O projeto final, adotado em 2019, se baseou, em grande parte, no conhecimento local.

A Área Marinha Protegida cobre 687 mil quilômetros quadrados e 91% da Zona Econômica Exclusiva de Tristão da Cunha foi totalmente fechada para a pesca.

Basicamente, o projeto definiu uma zona de pesca costeira designada para a pesca comercial da lagosta, preservando as bases econômicas da ilha. O plano também criou “Áreas a Serem Evitadas” para a navegação, reduzindo o risco de acidentes perto de habitats sensíveis.

“Nossas águas são um porto seguro para a vida selvagem”, afirma a responsável pela Área Marinha Protegida de Tristão da Cunha, Janine Lavarello.

“Queremos que as pessoas entendam que, se a nossa pequena comunidade pôde estabelecer esta imensa área marinha protegida, imagine o que podem conseguir os países maiores.” As informações são da BBC News.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Curiosidades

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Pai de Shakira sofreu isquemia no dia do show em Copacabana e foi internado às pressas na UTI
Hipertensão é doença silenciosa e rastreio é falho no Brasil, afirmam especialistas
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x