Sexta-feira, 10 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 9 de julho de 2026
Primeiro: diminua ou equilibre as expectativas. O balde de água fria foi jogado por especialistas consultados pelo jornal Folha de S.Paulo ao destrincharem estratégias para conquistar o carro ou imóvel dos sonhos —o que, segundo eles, é possível, desde que haja constância, adequação ao perfil de ganhos e gastos e consciência de certos pontos.
Automóveis e imóveis são caros. São bens duráveis, e podem ser utilizados por anos ou décadas. Poupar para comprar uma cobertura ou um conversível para alguém que não consegue terminar o mês no azul, por exemplo, pode ser uma tarefa frustrante.
Denize Viviani Souza, 25, quer um carro e uma casa. Estudante de medicina veterinária pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), pretende entrar em consórcios de carro e casa (um tipo de “poupança conjunta”, em que um grupo investe e cada participante é sorteado por mês). Sem um plano traçado, Denize guarda o que ganha da bolsa de iniciação científica e mora com os pais, que a auxiliam financeiramente.
“Queremos comprar algo hoje em dia e não conseguimos. Vamos à farmácia e gastamos R$ 300, e isso pesa no bolso”, afirma.
Antes de tentar economizar sem rumo, se a intenção é comprar um carro, é preciso definir o modelo e saber qual o valor necessário para adquiri-lo. A dica é de Daiane Alves, educadora financeira da Neon.
Passo a passo
– Defina o que você quer e pesquise o custo real. Isso inclui acrescentar impostos e juros no cálculo, caso o pagamento seja parcelado, além de custos com reformas e consertos se for um apartamento antigo ou um carro usado;
– Entenda sua situação. Quanto ganha, quanto gasta e até quanto pode poupar por mês sem comprometer gastos necessários (como água, luz, gás e aluguel, por exemplo);
– Crie uma reserva para a compra, separada da conta-corrente;
– Tenha disciplina para continuar investindo o dinheiro na reserva, com base na sua realidade financeira.
Ao equilibrar as expectativas, uma opção realista é buscar um carro que tenha manutenção com menor custo, considerando gastos com combustível, seguro e impostos, como o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).
O mesmo vale para imóveis, estabelecendo o bairro, o tipo e as faixas de preço.
O segundo passo é entender a própria situação financeira. Coloque no papel quanto ganha por mês e quanto gasta. Diferencie despesas fixas (contas de água, luz, gás e aluguel) dos gastos maleáveis, como compras. Assim, é possível saber se há algum dinheiro sendo sugado por despesas não essenciais que poderia ir para uma reserva.
O que traz o próximo ponto: a “poupança” para adquirir o carro ou a casa dos sonhos.
“Se não conhece investimentos, opte por aplicações em renda fixa, como CDBs e Tesouro Selic, de instituições financeiras asseguradas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos)”, diz Alves. “Essa é a forma mais segura de fazer o dinheiro render de forma realista.”
Armadilhas
Consumir por impulso para satisfazer desejos imediatos, excesso de parcelas pendentes de outras compras e a comparação com os outros são armadilhas que podem prolongar o plano de comprar uma casa ou um carro. Outras, por outro lado, são os investimentos com a promessa de retornos extraordinários.
“Um dos maiores erros é acreditar que investimentos milagrosos resolverão em poucos meses aquilo que exige planejamento e constância”, diz Eduardo Reis, educador financeiro.
Quando as expectativas são irreais, as pessoas tendem a buscar riscos excessivos, investir em produtos que não compreendem ou cair em promessas de retornos astronômicos, afirma.
Algumas armadilhas podem estar presentes no financiamento, modalidade em que um banco ou outra instituição financeira paga um bem de alto valor e recebe os pagamentos em parcelas mensais, acrescidas de juros e cobrança de seguros.
Uma das ciladas que podem estar embutidas em contratos de financiamento são as parcelas aparentemente baixas, mas com prazos muito estendidos. A observação é de Bruno Medeiros Durão, advogado voltado à análise de contratos, crédito e financiamentos. “Em alguns casos, a pessoa se encanta com uma prestação menor, mas não percebe que o custo final do bem ficou muito maior.”
Uma das dicas para não errar, segundo Eduardo Reis, é ter certeza de que o financiamento não está comprometendo mais do que 30% da renda mensal, além de pesquisar diversas instituições. Diferenças nas taxas de juros dos bancos podem representar milhares de reais ao longo do contrato. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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