A cada nova iniciativa da Operação Lava Jato vem à memória a Operação Mãos Limpas, investigação judicial de grande envergadura na Itália. Visava esclarecer casos de corrupção durante a década de 1990 e desmantelou diversos esquemas, envolvendo o pagamento de propina por empresas privadas interessadas em garantir contratos com estatais e órgãos públicos. Abrangeu também o desvio de recursos para o financiamento de campanhas políticas.
A mega-investigação levou ao fim da chamada Primeira República Italiana, na qual a Democracia Cristã (DC) e o Partido Socialista Italiano (PSI) eram as principais forças políticas do país.
A Operação Mãos Limpas teve início em Milão e se espalhou para outras cidades italianas.
O ponto de partida foi a prisão, em 1992, de Mario Chiesa, ligado ao PSI. Ele era diretor de uma instituição filantrópica e acusado de receber propina de uma empresa de limpeza. Em um primeiro momento, o PSI tentou isolar Chiesa, mas o político logo começou a falar e a incriminar colegas.
As acusações cresceram rapidamente. Políticos, empresários e funcionários públicos detidos implicavam dezenas de outros em seus depoimentos.
Os suspeitos recebiam incentivos para colaborar com a Justiça, num esquema semelhante à delação premiada.
Entre os que acabaram implicados no escândalo estava o líder do PSI e ex-primeiro-ministro Bettino Craxi.
O presidente e um diretor da estatal petrolífera ENI também foram presos em meio a denúncias sobre o financiamento ilícito de partidos com recursos da estatal e o superfaturamento da compra de ações de uma empresa química.
Houve investigação de mais de 5 mil pessoas, entre elas, centenas de empresários, funcionários públicos e parlamentares.
Quase a metade foi condenada. O DC e a PSI deixaram de existir após perderem legitimidade e votos.
Como resultado, a correlação de forças políticas na Itália mudou completamente depois da Operação Mãos Limpas.
