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Você viu? Compra pela Microsoft pode ser o fim da Netflix, mas também a salvação de Bill Gates

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Empresa registrou quase 100 mil assinaturas diárias em 26 e 27 do último mês.(Foto: Reprodução)

“O conteúdo é rei”. Hoje clichê, essa frase foi cunhada por ninguém menos que Bill Gates em um famoso artigo, publicado em 1996. Nele, o bilionário afirmava que a grande oportunidade na internet era fornecer informação e entretenimento – e descrevia os caminhos para se fazer dinheiro a partir disso. Corta para o finzinho de 2022: a Microsoft, companhia fundada por Gates, surge como a possível compradora da empresa que melhor soube distribuir e produzir conteúdo online, a Netflix.

Explica-se: a gigante do streaming, fundada por Reed Hastings em 1997, teve um 2022 desafiador. Pela primeira vez em 10 anos a empresa registrou uma queda no número de assinantes. Em parte, resultado de um ambiente econômico mundial desfavorável, de sua retirada da Rússia (por conta da guerra na Ucrânia) e de uma maior competição no setor.

Enquanto isso, o mercado (essa entidade que ninguém vê, mas que todos temem) começou a ter dúvidas sobre o futuro da companhia. Percebeu que não adiantava apenas crescer o bolo de assinantes com investimento grande na produção de conteúdo: é preciso também ser mais saudável economicamente. Isso enquanto a Netflix “queimava” muito dinheiro com conteúdo, resultando em um grande débito em seu balanço financeiro. Resultado? As ações da Netflix acumulam uma queda de quase 40% em 2022. Um belo tombo.

Agora, a empresa americana pode dizer que “os relatos da minha morte são muito exagerados”, parafraseando Mark Twain. Afinal a Netflix ainda é aquela que melhor entendeu o mercado de streaming de vídeo e possui uma base sólida de 223 milhões de assinantes em todo o mundo. É menos que o total somado das plataformas da Disney, sim, mas o Mickey conta diversos usuários mais de uma vez entre os serviços Disney+/Star+, Hulu e ESPN+ para alcançar a soma de 235 milhões de assinaturas.

Nunca, na história do entretenimento, houve algo tão grande e global quanto a Netflix – e que produzisse tanto conteúdo. Só que, como anteviu Bill Gates em 1996, gerar dinheiro a partir disso pode ser um desafio. Foi quando a Netflix resolveu recorrer a algo que sempre negou ter: publicidade. Agora em novembro a plataforma lançou um plano mais barato, de R$ 18,90 no Brasil, e que inclui anúncios. Para vender essas propagandas, fechou uma parceria justamente com a Microsoft.

O burburinho agora é que esse poderia ser o primeiro passo para a Netflix ser comprada pela empresa responsável por Windows e Office. De acordo com a Reuters, as duas companhias já estão bem alinhadas e essa aquisição seria o próximo passo. Será?

No ponto de vista de negócios, faz sentido: após a desvalorização recente, a Microsoft vale quase 14 vezes mais que a empresa de streaming (US$ 1,77 trilhão, contra US$ 128 bilhões). Ela ainda tem o Xbox, plataforma de games que vai além do console, e neste ano adquiriu por US$ 68,7 bilhões a Activision Blizzard, da mesma área de jogos eletrônicos. Juntar a esse ecossistema o vídeo sob demanda seria uma bela jogada, sem contar que a própria Netflix tem se aventurado no mundo dos games para celular.

Também seria a concretização da famosa frase de Bill Gates. A Microsoft poderia finalmente se gabar de ser a “rainha” do conteúdo na internet – principalmente nessa nova fase do tão falado “metaverso”, o universo de realidade virtual que replica a vida real.

Netflix, a nova Nokia?

O negócio poderia ser um péssimo destino para a Netflix. Obviamente, ser parte de um grupo muito maior, com caixa mais robusto, seria ótimo. Vide Amazon e Apple, que vêem no streaming como negócios secundários e podem se dar ao luxo de fazer jogadas grandes e exageradas. Só que não é só isso.

Mesmo que mantenha uma gestão separada, como acontece com o LinkedIn (outra empresa adquirida pela Microsoft), haveria um choque de cultura. Ainda que sejam empresas originalmente de tecnologia, não são, necessariamente, universos que se conversam. Será que Hastings e Ted Sarandos, co-CEOs da Netflix, se encaixariam? Ou eles deixariam a companhia? Isso levanta outros questionamentos, também.

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