Domingo, 18 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2023
Países da comunidade internacional se organizam para operações de retirada do Sudão em meio a batalhas entre facções militares rivais que desencadearam uma crise humanitária. A França, por exemplo, anunciou através de seu Ministério das Relações Exteriores, neste domingo (23), uma “operação de retirada rápida” de civis e diplomatas do Sudão.
Isso inclui cidadãos de nações “parceiras europeias e aliadas”, disse o ministério.
A decisão francesa vem na esteira das primeiras retiradas de civis organizadas por autoridades sauditas e da retirada de diplomatas pelos Estados Unidos e Reino Unido após uma semana de intensos combates entre facções militares rivais – as Forças Armadas Sudanesas, ou SAF, e as Forças de Apoio Rápido, ou RSF – que deixaram centenas de mortos e milhares de feridos.
O premiê britânico Rishi Sunak anunciou, na manhã deste domingo (23), que as Forças Armadas do Reino Unido “concluíram uma complexa e rápida evacuação de diplomatas britânicos e suas famílias do Sudão, em meio a uma escalada significativa da violência e das ameaças aos funcionários da embaixada”.
“Continuamos a buscar todos os meios para acabar com o derramamento de sangue no Sudão e garantir a segurança dos cidadãos britânicos que permanecem no país”, acrescentou, pedindo um cessar-fogo “humanitário imediato”.
Sunak já havia realizado uma reunião de emergência sobre a situação no Sudão nos últimos dias.
Segundo a CNN, os esforços de evacuação britânica não acontecerão em breve, mas um porta-voz do governo disse que estavam fazendo “todo o possível” para apoiar os cidadãos britânicos.
O presidente Joe Biden disse nno sábado (22) que os funcionários do governo dos EUA foram retirados do Sudão.
“Hoje, sob minhas ordens, os militares dos Estados Unidos conduziram uma operação para retirar funcionários do governo dos EUA de Cartum”, disse Biden em um comunicado.
Em uma declaração separada, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que todo o pessoal dos EUA e suas famílias foram evacuados e que as operações na Embaixada dos EUA em Cartum foram “suspensas temporariamente”.
Um grupo de pouco mais de 100 forças de operações especiais esteve envolvido na extração. A operação foi liderada pelo US Africa Command e conduzida em estreita coordenação com o Departamento de Estado, disse Lloyd Austin, o secretário de Defesa dos EUA.
Embora tenham sido tomadas medidas para retirada dos funcionários do governo, o governo dos EUA “não prevê coordenar uma evacuação do governo dos EUA para nossos concidadãos no Sudão neste momento ou nos próximos dias”, disse o subsecretário de Estado para Gestão, John Bass, no sábado.
No entanto, um alto funcionário do Pentágono disse que “nos próximos dias continuaremos a trabalhar com o Departamento de Estado para ajudar os cidadãos americanos que queiram deixar o Sudão”.
“Uma dessas maneiras é potencialmente tornar as rotas terrestres fora do Sudão potencialmente mais viáveis”, disse o secretário adjunto de Defesa para Operações Especiais e Conflitos de Baixa Intensidade, Chris Maier, em uma ligação com repórteres.
Maier disse que o Departamento de Defesa “está atualmente considerando uma ação que pode incluir o uso de recursos de inteligência, vigilância e reconhecimento para poder observar rotas e detectar ameaças”.
Não está claro quantos cidadãos dos EUA estão no Sudão. O Departamento de Estado não mantém contagens oficiais de cidadãos americanos em países estrangeiros e os americanos não são obrigados a se registrar quando vão para o exterior.
Funcionários do Departamento de Estado dos EUA estimam que 16 mil americanos estão no Sudão, a maioria com dupla nacionalidade.
O Ministério das Relações Exteriores saudita disse que “vários cidadãos de países irmãos e amigos” estavam sendo evacuados junto com os cidadãos sauditas.
De acordo com uma lista divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita no sábado, 91 de seus cidadãos foram evacuados, junto com 66 cidadãos de 12 outros países, incluindo Catar, Emirados Árabes Unidos, Egito, Tunísia, Paquistão, Índia, Bulgária, Bangladesh, Filipinas, Canadá e Burkina Faso.
O anúncio foi feito depois que as Forças Armadas do Sudão (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF) disseram que estavam prontas para ajudar na retirada estrangeiros.
A SAF disse em um comunicado no sábado que seu líder, general Abdel Fattah al-Burhan, “concordou em fornecer a assistência necessária” para facilitar a evacuação segura de cidadãos estrangeiros do país em resposta a “chamadas de vários chefes de Estados”.
Um porta-voz da União Europeia disse que cerca de 1.500 pessoas de vários países da UE estão atualmente no Sudão.
“Eles estão enfrentando uma situação muito difícil e sua segurança é uma prioridade. Pedimos a ambos os lados (as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido) que parem de lutar e permitam uma passagem segura para fora do país”, disse o porta-voz, acrescentando que a UE está trabalhando com os Estados-membros para encontrar soluções. As informações são da CNN.
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