Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de abril de 2017
O detento Roger Abdelmassih, que cumpre pena de 181 anos de prisão em regime fechado por estuprar pacientes durante o período em que atuava como médico, deixou a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital Regional em Taubaté (SP). Ele permaneceu na unidade de terapia intensiva até a última quinta-feira, mas a informação só foi tornada pública nesta semana.
A chegada ao local, em uma ambulância do Estado foi escoltada por policiais militares, obedecendo a um procedimento-padrão para o transporte de presidiários neste tipo de veículo. O veículo entrou no local por um acesso especial no estacionamento, sem que fossem registrados incidentes ou manifestações de repúdio, como ocorreu em outras aparições públicas do médico.
Com a melhora no quadro clínico, o paciente de 73 anos deve ter alta e retornar à prisão em Tremembé (SP) nos próximos dias. Sob escolta policial, ele segue internado em um dos quartos da instituição, sendo monitorado pela equipe médica do hospital.
Abdelmassih foi internado no dia 7 deste mês, por volta das 19h, para a realização de exames que acabariam apontando a necessidade de tratamento. Ele sofre de problemas cardíacos e vinha sendo submetido a uma bateria de avaliações clínicas, a fim de determinar a possibilidade de concessão do chamado “indulto humanitário”, que consiste na liberdade a presos com idade avançada ou doenças terminais ou graves que não possam ser tratadas na unidade prisional, dentre outras hipóteses previstas em lei.
Desde 10 de março, ele tem passado por perícia e exames, autorizados pela Justiça e custeados por ele, para tentar comprovar que atende os critérios para obter o benefício. O médico sofre de problemas cardíacos desde 1984.
Caso seja comprovada a debilitação do preso, ele pode ser beneficiado com a soltura para a realização ou conclusão do tratamento em regime domiciliar. A solicitação da defesa do médico, no entanto, ainda não tem prazo para ser julgada pela Justiça.
Alegando sigilo médico, a Secretaria da Administração Penitenciária do governo de São Paulo não forneceu informações adicionais sobre o estado de saúde de Abdelmassih. O hospital também foi procurado pela diversos veículos da imprensa nacional e alegou não dispor de autorização para divulgar o quadro clínico do paciente.
Histórico
O médico Roger Abdelmassih, que era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil, foi condenado pela Justiça em 2010. Em sua sentença, foram levados em consideração ao menos 48 ataques a 37 vítimas, todas elas suas pacientes. Os crimes sexuais ocorreram durante 13 anos, no período entre 1995 e 2008.
Ele não foi preso logo após ter sido condenado, entretanto, porque um habeas corpus do STJ (Superior Tribunal de Justiça) dava a ele o direito de responder ao processo em liberdade.
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