Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de maio de 2018
Condenado a seis anos de prisão pela Operação Lava-Jato, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares arrancou aplausos dos petistas ao se despedir, na sexta-feira (11), dos integrantes da corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), maior força interna do partido.
Prestes a ser preso após decisão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Delúbio se emocionou ao afirmar, na reunião da CNB, que não poderá estar ao lado dos correligionários na organização da próxima campanha presidencial.
Após defender a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estruturação das campanhas nos estados e o fortalecimento da corrente, Delúbio disse que espera voltar em breve ao convívio dos petistas. No dia 26 de março, o ex-tesoureiro foi condenado pelo TRF-4 por lavagem de dinheiro em processo referente a empréstimo de R$ 12 milhões do grupo Schain ao pecuarista José Carlos Bumlai. Amigo de Lula, Bumlai afirmou, em delação, que o PT seria o destinatário do dinheiro.
Ele já tinha sido condenado a seis anos e oito meses de prisão no processo do mensalão pelo crime de corrupção ativa. Preso em 2013, foi autorizado no fim de setembro de 2014 a cumprir o restante da pena em prisão domiciliar. Em março de 2016, o STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu o perdão da pena. Desde então, Delúbio tinha participações discretas nos encontros partidários.
Na reunião da CNB – ocorrida na quinta-feira (10) e na sexta-feira, em São Paulo – o ex-tesoureiro foi efusivamente ovacionado também ao chegar ao segundo andar da sede do PT. Além dele, o ex-presidente do PT José Genoino – outro condenado durante o processo do mensalão – teve papel relevante ao fazer uma apresentação sobre tática eleitoral.
Lula
Reunidos por dois dias, os mais de cem integrantes da CNB decidiram levar adiante a campanha de Lula após forte intervenção do ex-presidente. Já na manhã desta sexta-feira, o tesoureiro do PT e ex-prefeito de Osasco, Emídio de Souza, foi porta-voz de um recado enviada na véspera por Lula.
Um dia depois de visitar Lula na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, Emídio transmitiu um apelo do ex-presidente. Disse que Lula não abria mão de concorrer à Presidência e pedia para que a campanha fosse intensificada nos estados.
Dois dias antes, Lula afirmou, em carta à presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), que sua candidatura está mantida. Chefe de gabinete da presidência do PT, o ex-ministro Gilberto Carvalho afirma que a mensagem foi importante por espantar o fantasma do plano B que pairava sobre o partido.
O ex-ministro diz ainda que o partido deverá procurar uma aproximação com o PR, partido do empresário Josué Gomes, vice dos sonhos de Lula, além de manter o canal aberto com o PSB e PC do B. Segundo Carvalho, o partido vai com Lula até o fim e a grande tarefa será justificar a decisão a quem os acusa de “isolacionistas ou loucos por insistir em um candidato preso”.
“Vamos até o fim acreditando na reversão do quadro, embora remota”. A intenção é levar a candidatura de Lula até 15 de agosto, com a indicação do vice em setembro. Na reunião, foi abortada a possibilidade de indicação de um vice dentro do PT sob pena de alimentar a suspeita de que seria a alternativa a Lula na urna eleitoral.
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