Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de fevereiro de 2026
Após a confirmação oficial do primeiro caso de mpox no Rio Grande do Sul neste ano, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) reitera a importância dos protocolos de prevenção da doença (antigamente conhecida como “varíola-dos-macacos”). Igualmente importante é o conhecimento dos sintomas e do que fazer em casos suspeitos de contágio.
A mpox é uma infecção causada por vírus do gênero Orthopoxvirus, mesmo grupo responsável pela varíola. Já a transmissão se dá principalmente por contato direto e próximo com pessoas infectadas. Também pode ocorrer de modo indireto, por meio do contato com objetos contaminados.
Dentre os principais sintomas estão lesões dermatológicas que podem evoluir para bolhas e crostas, aumento de linfonodos, febre e dores de cabeça ou no restante do corpo.
Medidas simples são eficazes para reduzir o risco de transmissão. A lista inclui higienizar as mãos com frequência,
não compartilhar objetos de uso pessoal e evitar contato com pessoas que apresentem lesões suspeitas ou diagnóstico confirmado.
Deve-se buscar atendimento quando há sintomas compatíveis com a doença. Os serviços municipais de saúde são orientados a notificar imediatamente casos suspeitos, ben como realizar a coleta de amostras – no Rio Grande do Sul, estas são submetidas a exena no Laboratório Central do Estado (Lacen).
Vacinação
A estratégia de vacinação contra mpox segue as recomendações nacionais e prioriza pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da doença. A definição dos grupos ocorre com base em avaliação técnica e científica e conta com a participação dos conselhos estaduais e municipais de Saúde.
Desde o início da imunização, já foram aplicadas 865 doses do fármaco no Rio Grande do Sul. São dois tipos de procedimento: pré e pós‑exposição.
– Pré-exposiçao: indivíduos com HIV/aids: homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais; com idade igual ou superior a 18 anos; e com status imunológico identificado pela contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses; profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus em ambientes de nível de biossegurança 2 (NB‑2), com idades entre 18 e 49 anos.
– Pós‑exposição: quem teve contato direto com fluidos e secreções corporais de pessoas suspeitas, prováveis ou confirmadas para mpox, cuja exposição seja classificada como de médio ou alto risco, conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), mediante avaliação da vigilância local. Em Porto Alegre, contactantes do caso confirmado receberam a vacina como medida de bloqueio logo após a confirmação.
Situação epidemiológica
Após casos terem sido observados em 2022, a circulação do vírus diminuiu, mas ocorrências esporádicas prosseguem ocorrendo no Rio Grande do Sul e no País. O Estado contabilizou 21 casos confirmados em 2024 e outros 22 no ano passado.
A primeira confirmação de caso gaúcho da mpox em 2026 é de um indivíduo residente de Porto Alegre. Outras nove suspeitas foram descartadas e duas prosseguem sob investigação.
Saiba mais
A mpox (nome derivado de “monkeypox”, devido à antiga terminologia que associava o problema diretamente a macacos) é uma doença causada pelo vírus de mesmo nome. Seus principais sintomas são erupção cutânea (lesões, bolhas, crostas) em diferentes formas e que podem afetar todo o corpo, incluindo rosto, palmas e plantas e órgãos genitais.
Também são relatados febre, dor de cabeça, inchaço dos gânglios linfáticos, dor nas costas, dores musculares e falta de energia. Todas as pessoas que forem expostas ao vírus podem se infectar e desenvolver a doença, independentemente de idade, gênero ou outras características.
A transmissão se dá sobretudo pelo contato com lesões de pele de pessoas infectadas, ou então com objetos e superfícies contaminadas. Pode ocorrer, ainda, por contato direto ou indireto com gotículas respiratórias (saliva e muco nasal, por exemplo), O período de transmissão da doença se encerra quando as crostas das lesões desaparecem.
Já a prevenção tem como principal diretriz o uso de máscara facial e a higienização de mãos e superfícies – outra similaridade com as orientações para combate ao coronavírus. Em caso de sintomas, recomenda-se procurar o posto de saúde mais próximo.
A denominação informal “varíola dos macacos” se deve à descoberta do vírus em primatas de um zoológico na Dinamarca na década de 1950. Mas os hospedeiros podem ser outros animais (principalmente roedores selvagens). Em humanos foi identificado pela primeira vez em 1970, em uma criança na República Democrática do Congo (África).
(Marcello Campos)
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