Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de junho de 2015
Um partido dividido, em crise de identidade, que não consegue enfrentar o Palácio do Planalto nem fazer o inventário de seus erros. Foi assim que o PT saiu do seu 5º Congresso Nacional, em Salvador (BA), após três dias de debates, choros e ranger de dentes.
Embora o grupo do ex-presidente Lula tenha segurado as críticas mais ferozes ao ajuste fiscal na Carta de Salvador, não houve vencedores nessa batalha. O Planalto enquadrou o PT, mas ficaram evidentes as insatisfações com o governo, os reparos à política econômica e o distanciamento em relação à presidenta Dilma Rousseff. Tudo foi abafado em nome da governabilidade.
“Vocês não percebem que vão tirar Levy e atirar em Dilma?”, disse um ministro do PT a dirigentes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) que pregavam a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Até Fidel Castro foi citado na reunião da corrente Construindo um Novo Brasil. “Alguém acha que Fidel não é de esquerda? Pois saibam que ele também fez um ajuste fiscal”, emendou.
Nem só de ajuste, porém, viveu o encontro. Os escândalos de corrupção, do mensalão à Petrobras, e as investigações da Operação Lava-Jato rondaram o congresso. Sobraram, no entanto, críticas à imprensa e inscrições sem efeito prático, como a criação de um “núcleo de juristas progressistas” para liderar uma “reflexão sobre os caminhos da Justiça e a criminalização da política”.
Discurso de Dilma
Quando Dilma foi anunciada para discursar em Salvador já eram quase 23h. No fundo do auditório do hotel que abrigou o congresso, vários jovens conversavam em várias rodinhas, quase todos de costas para o palco. Falavam alto, riam, tiravam fotografias e bebiam cerveja.
Dilma tentou explicar o ajuste fiscal de seu governo, criticado por muitos setores do PT. Do meio para o fim de sua fala, a presidenta presenciou a debandada de militantes e dirigentes. A dispersão era notória também momentos antes, nas falas do presidente nacional do PT, Rui Falcão, e até de Lula. (Vera Rosa/AE e Folhapress)
Os comentários estão desativados.