Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de maio de 2022
A ativista Maria Alyokhina, de 33 anos, líder do grupo musical feminista russo Pussy Riot, fugiu do país disfarçada de entregadora de comida. Presa diversas vezes desde que o coletivo foi criado há mais de um a década – seis vezes apenas no verão passado – Alyokhina disse que estava disposta a permanecer no país, mas mudou de ideia após o início da guerra na Ucrânia.
“Acho que a Rússia não tem mais o direito de existir. Mesmo antes (da guerra), havia dúvidas sobre como ela está unida, por quais valores ela está unida e para onde está indo. Mas agora eu acho que isso não é mais uma questão”, ressaltou em entrevista ao jornal The New York Times.
Alyokhina contou que e estava em uma cela em fevereiro quando ouviu o discurso de Vladimir Putin anunciando a invasão militar no país vizinho. Ela foi condenada em setembro de 2021 a um ano de restrição por protestar em apoio ao opositor do Kremlin, Alexei Navalny. No mês passado, porém, as autoridades decidiram converter sua sentença em uma prisão real e ela decidiu fugir.
Para sair do país, a ativista primeiro se vestiu como entregador para despistar policiais que estavam do lado de fora do apartamento de uma amiga onde estava hospedada. Em seguida, outro amigo a levou a fronteira com a Bielorrúsia. A russa permaneceu no país por uma semana. Naquele momento, já estava na lista de “procurados” do país natal. Alyokhina só conseguiu chegar na Lituânia após três tentativas, usando um documento europeu sem nome.
“Muita mágica aconteceu na semana passada. Parece um romance de espionagem. Fiquei feliz por ter conseguido. Ainda não entendo completamente o que fiz”, contou.
Conforme o Times, outros membros Pussy Riot também se juntaram a Alyokhina na Lituânia. O grupo planeja se apresentar em Berlim, na Alemanha, no final desta semana como parte de uma turnê europeia para arrecadar fundos para a Ucrânia. A ativista disse que espera um dia retornar à Rússia natal, embora saiba que a possibilidade de isso acontecer em breve “é improvável”.
“Se o seu coração está livre, não importa onde você está”, ressaltou.
A namorada de Alyokhina e parceira no Pussy Riot, Lyusya Shtein, postou uma foto no Twitter, também vestida com um uniforme verde da empresa de delivery dizendo que Alyokhina “não fugiu da Rússia, ela saiu em turnê”. Na sequência, publicou outra foto das duas juntas, alegando que foi registrada em uma catedral na Islândia. Shtein atua como parlamentar municipal em Moscou e também foi condenada a medidas restritivas devido aos protestos a favor de Navalny. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.
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