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Brasil Conheça as razões que levaram ao reforço vacinal e à redução de intervalo entre as duas doses

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Para eles, medida assinada pelo ministro do Trabalho e Previdência contraria diferentes decisões e orientações da Justiça. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A antecipação da segunda dose de Pfizer e de AstraZeneca é estratégia para conter a variante delta, lado a lado com máscaras, distanciamento social e ventilação de ambientes. O prazo de oito semanas é uma espécie de meio-termo, já que as bulas indicam que os menores intervalos para completar o esquema vacinal, conforme testes, são de três e quatro semanas, respectivamente.

O anúncio inicial do Ministério da Saúde, feito em julho, dava conta de que o intervalo da Pfizer cairia de 90 para 21 dias. Contudo, o prazo mudou diante de estudos conduzidos no Reino Unido: resultados mostraram que um maior espaço de tempo entre as duas doses conferia maior imunidade.

Já a data para iniciar o adiantamento, marcada para setembro, corresponde ao mês em que o imunizante da Pfizer estará mais disponível: até o fim do ano, o Brasil deverá somar 200 milhões de doses do laboratório. Só para setembro, a previsão é de 44.531.370 doses do imunizante. O número é bem maior que as 12.033.990 doses previstas para a AstraZeneca, entregue pela Fiocruz, e das 6.115.652 restantes da Coronavac.

O posicionamento da pasta também mudou em relação à AstraZeneca, para a qual adotava o intervalo máximo de 12 semanas, previsto em bula. Na contramão de alguns Estados, que já antecipavam a aplicação da segunda dose a partir de critérios próprios, o ministério rechaçava a ideia. A variante delta foi um fator que pesou na decisão, já que duas doses são necessárias para proteger contra a cepa, mais contagiosa.

“O objetivo principal é avançar na aplicação da segunda dose. Com essa estratégia (antecipação de doses), a expectativa é vacinar toda a população adulta até outubro”, afirmou o ministro Marcelo Queiroga, em entrevista à imprensa.

De acordo com cronograma publicado semanalmente pelo Ministério da Saúde, até o final do ano o país receberá cerca de 150 milhões de doses da vacina da Pfizer ante 75,1 milhões de doses da vacina de Oxford — parte produzida pela Fiocruz e outra, enviada pelo Covax Facility, da Organização Mundial de Saúde (OMS) —, 36,2 milhões de Janssen, e 6,1 milhões de Coronavac. Outras 27,4 milhões de doses também serão entregues pelo consórcio global, mas não se sabe de qual laboratório.

Terceira dose

A escolha da vacina da Pfizer e, na falta dela, da Janssen e da AstraZeneca, para reforçar a imunização de pessoas que já completaram o esquema vacinal no Brasil tem gerado dúvidas sobre o motivo de o Ministério da Saúde ter optado por esses imunizantes para a dose de reforço e deixado de lado, por exemplo, a Coronavac. A escolha, contudo, é técnica, não política, e se baseia em estudos que mostram a necessidade de reforço nesses grupos vulneráveis da população.

Os idosos vivenciam o envelhecimento imunológico, que leva a uma queda natural da imunidade. Já entre os imunossuprimidos estão pessoas com câncer, portadores de HIV, transplantados. A tecnologia do RNA mensageiro, utilizada pela Pfizer, gera maior resposta imune nos dois grupos. Além disso, o Brasil deve alcançar 200 milhões de doses dessa vacina até o fim do ano, o que a torna a mais disponível.

“A preferência foi pelas vacinas de RNA mensageiro, que são vacinas que estimulam resposta imune melhor nesse público. É uma população mais vulnerável e os dados são inequívocos mostrando que essa é a vacina que melhor estimula resposta imune nesse público”, afirma o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e membro da Câmara Técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Renato Kfouri.

As outras duas opções são viáveis devido a questões logísticas particulares de determinados municípios, sobretudo os mais afastados.

Estados avançam

A necessidade de uma terceira dose, embora desencorajada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) — diante da pouca oferta de imunizantes aos países de baixa renda —, figura como um ponto de confluência entre muitos gestores de saúde, especialistas médicos, as farmacêuticas e a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No mês passado, os técnicos da agência recomendaram que o Ministério da Saúde justamente realizasse uma aplicação extra de reforço, em caráter experimental, em idosos e imunossuprimidos que receberam duas doses da Coronavac.

Desde então, a Anvisa tem realizado o que chama de “busca ativa” para receber dados dos laboratórios que têm vacinas aprovadas no Brasil. As empresas têm realizado estudos no Brasil para averiguar os efeitos de um reforço entre os já totalmente vacinados.

As farmacêuticas Pfizer, Janssen e AstraZeneca (essa última acompanhada pela Universidade de Oxford), por exemplo, passaram a vacinar brasileiros nos últimos meses com a aplicação excedente para obter mais evidências científicas sobre seu uso — sobretudo no público geral, que não sofre com comorbidades ou os efeitos do avanço da idade.

A Coronavac, por sua vez, será avaliada em um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde que também prevê aplicação heteróloga — que significa em combinação com outras tecnologias vacinais. Em resumo: parte dos participantes da pesquisa receberão o reforço com a própria Coronavac e outros com Pfizer, Janssen ou AstraZeneca.

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