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Saúde Conheça o que os cientistas descobriram sobre o câncer de mama

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Novas mutações em genes de células relacionadas à doença foram identificadas pelos cientistas, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes. (Crédito: Reprodução)

Duas novas pesquisas lideradas por cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, fazem a análise mais abrangente já realizada sobre os genes e processos de mutação envolvidos com o câncer de mama.

Segundo os autores, ao localizar onde estão os “erros” genéticos ligados a tumores, os resultados ajudam a construir um conhecimento mais completo das bases genéticas da doença.

De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), depois dos tumores de pele do tipo não-melanoma, o câncer de mama é o tumor mais frequente nas mulheres brasileiras. As estimativas do Ministério da Saúde no ano passado previam 57,9 mil novos casos da doença em 2016, com um risco estimado de 56 casos a cada 100 mil mulheres.

Um dos estudos, veiculado na revista Nature, analisa as mutações celulares ocorridas em sequências de genomas e relacionadas ao câncer de mama.

A outra pesquisa, publicada na revista Nature Communications, do mesmo grupo editorial, avalia como essas mutações se relacionam com aspectos da estrutura genômica.

No primeiro levantamento, liderado pelo diretor do instituto Sanger, em Cambridge, Michael Stratton, os cientistas analisaram o genoma completo de tecidos normais e tumorais de 560 pacientes de câncer de mama.

Os autores identificaram mutações em 93 genes que estão relacionados à gênese da doença. Várias das mutações estão associadas com problemas no mecanismo de reparo do DNA e com as funções de dois genes supressores de tumores, segundo os autores do artigo.

Novo marco nos estudos sobre a doença. 

De acordo com Stratton, é um “marco” nos estudos sobre câncer. “Há cerca de 20 mil genes no genoma humano. Agora, com uma visão completa sobre o câncer de mama, sabemos que 93 desses genes, se alterados, vão converter uma célula normal da mama em uma célula de câncer de mama. Essa é uma informação muito importante”, assinalou o cientista.

De acordo com ele, 60% das mutações que levam ao câncer de mama foram encontradas em apenas dez genes. “Vamos oferecer essa lista às universidades e às empresas farmacêuticas e de biotecnologia para que comecem a desenvolver novas drogas, pois esses genes com mutações e suas proteínas podem ser alvo para novas terapias”, afirmou.

Novos tratamentos para o futuro.

No segundo estudo, liderado pela cientista Serena Nik-Zainal – também integrante do rol de especialistas da Universidade de Cambridge –, os pesquisadores usaram os mesmos 560 genomas de câncer de mama para identificar mutações específicas que podem servir como “assinaturas” desse tipo de tumor no organismo.
Essas mutações estão associadas a elementos da arquitetura do genoma e ao momento de replicação de algumas das partes do código genético. “No futuro, gostaríamos de ser capazes de traçar o perfil individual de genomas do câncer, de modo que possamos identificar o tratamento com maior probabilidade de sucesso”, projetou Serena.

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