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Brasil Contra o aborto, o casamento gay e a descriminalização das drogas, a cúpula do DEM persiste em posições conservadoras

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (foto), afirma que "apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição". (Foto: EBC)

Contra o aborto, o casamento gay e a descriminalização das drogas. Apesar de propagandear um discurso de renovação e um deslocamento em direção ao centro, a cúpula do DEM persiste em posições conservadoras no debate sobre costumes.

A agremiação, que em 2007 anos resolveu se despir da denominação PFL (Partido da Frente Liberal, criado em 1985), agora percebeu que pode abocanhar uma parcela do eleitorado “de centro”, principalmente diante da crise do PSDB, que antes era considerado o grande receptor desse tipo de voto.

A estratégia é atenuar o verniz tradicionalista que carimba a sigla desde o fim da ditadura e duelar com a pré-candidatura do tucano Geraldo Alckmin na tentativa de ganhar musculatura política na eleição presidencial.
Dirigentes da sigla, no entanto, admitem que o discurso sobre costumes pouco mudará e que o foco da sigla deve se centrar na implementação de políticas públicas consideradas progressistas.

Os exemplos que serão mais citados são as cotas para o concurso público em Salvador (BA), do prefeito e presidente do DEM, ACM Neto, além da resolução que permite transexuais e travestis usarem o nome social nas escolas, chancelada pelo ministro Mendonça Filho (Educação).

Pré-candidato à Presidência pela legenda, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), fala em “fim de um ciclo da velha política” mas se diz contrário a três principais temas quando se fala de costumes. Em entrevista à imprensa, ele classificou como “satisfatória” a legislação sobre aborto e se posicionou contra a descriminalização das drogas e o casamento gay.

Para ele, a expressão casamento cria um “conflito desnecessário” com o eleitorado cristão. “A união civil já resolve o problema”, avalia.

A ala mais conservadora do DEM no Congresso Nacional, formada por integrantes da bancada evangélica, diz que não está disposta a ceder nesses temas. Os seus integrantes verbalizam, inclusive, que o discurso de movimento ao centro é apenas pró-forma. “Trata-se apenas de um discurso político para pegar voto de centro”, admite o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ). “O Brasil está cada vez mais à direita por causa dos escândalos da esquerda. Fui contra a ida para o centro.”

No dia em que o partido realizou convenção para oficializar o deslocamento ao centro, no início de março, Cavalcante apresentou um projeto na Câmara prevendo punição de até um ano de cadeia para homens transexuais que, sem terem feito cirurgia de redesignação sexual, utilizem banheiros femininos – e vice-versa.

Integrantes da cúpula do DEM avaliam que essa parcela declaradamente mais conservadora representa boa parte da sociedade. Por isso, afirmam, é importante manter o seu espaço na sigla.

Moderação

Os principais dirigentes do DEM, que hoje têm entre 40 e 50 anos de idade, tentam adotar um discurso mais moderado. Eles argumentam que as cabeças do partido já são “mais contemporâneas” que as dos caciques da época do PFL.

Segundo essa “ala jovem”, o centro não é um ponto entre a esquerda e a direita, mas um lugar em que se tem a capacidade de construir o diálogo. “Posso ser convencido ou convencer os outros. O campo do centro não é aquele em que você abre mão do que acredita, é onde a pessoa tem equilíbrio e capacidade de diálogo”, afirma Maia.

ACM Neto vai na mesma linha: “Há opiniões que variam internamente no partido, mas isso não quer dizer que você vai rotular a legenda como de direita ou de esquerda apenas por conta dessas questões de divisão de opiniões internas”.

Mentor da agenda social do DEM, Marcelo Garcia nega que o partido esteja em cima do muro. “Da mesma forma que a candidatura do Rodrigo terá um plano de desenvolvimento humano e combate à pobreza, terá um plano de direitos humanos e defesa da vida. Quem tem que descer do muro é quem não aceita debater”, argumenta.

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