Terça-feira, 14 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de julho de 2026
O coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Rogério Marinho (PL-RN), classificou como “autoritária e desproporcional” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias o direito de visita do pré-candidato ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em nota divulgada nessa segunda-feira (13), Marinho afirmou que a medida busca tornar Bolsonaro “incomunicável”, representa uma “clara interferência no jogo político” e reforça a percepção de “perseguição política” contra o ex-presidente e a oposição.
A decisão de Moraes foi tomada após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita por Bolsonaro durante uma visita à residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. No documento, Bolsonaro pede que apoiadores “deixem de lado as possíveis diferenças” e se unam em torno da pré-candidatura presidencial do filho. Também o apresenta como seu “porta-voz” e afirma confiar nele para “resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”.
Na nota, Marinho afirmou que a decisão representa uma tentativa de impedir Bolsonaro de se comunicar.
“A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político”, escreveu o senador.
Na decisão, Moraes entendeu que Flávio utilizou o direito de visita para obter um documento cuja finalidade seria exclusivamente a divulgação pública, burlando a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar redes sociais. O ministro também deu prazo de 48 horas para que a defesa esclareça se Bolsonaro tinha conhecimento de que a carta seria publicada nas redes sociais do filho e encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.
Para o ministro, o conteúdo da carta e a forma como foi divulgado podem extrapolar uma manifestação política e configurar propaganda eleitoral antecipada. Segundo Moraes, Flávio utilizou as redes sociais para promover sua pré-candidatura com expressões equivalentes a um pedido explícito de voto. O magistrado também concluiu que houve desvio de finalidade no exercício do direito de visita, determinando sua suspensão pelo prazo de 90 dias.
Na nota, Marinho também afirmou que a decisão reforça a percepção de “perseguição política” e de “tratamento desigual”. Segundo ele, “parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição”.
Na manifestação, o coordenador da campanha compara o caso ao tratamento dado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período em que esteve preso. Segundo Marinho, Lula recebeu visitas, manteve interlocução política com aliados, divulgou cartas e concedeu entrevistas enquanto cumpria pena.
“O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais”, afirmou.
Marinho disse ainda que a oposição não busca privilégios, mas “igualdade perante a lei”.
“Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.”
Na nota, o senador conclui afirmando que “calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários” e que “calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa”. As informações são do jornal O Globo.
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