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Economia COP30: vencedora do Prêmio Nobel de Economia propõe “Pix” em favor do clima e contra a pobreza

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A francesa Esther Duflo ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2019. (Foto: Reprodução)

Prêmio Nobel de Economia em 2019, a francesa Esther Duflo apresentou na terça-feira (11) na COP30, em Belém do Pará, sua proposta do “Pix do Clima” ou o que também poderia ser entendido como um Bolsa família climático. A ideia é que os adultos dos países mais afetados pelas mudanças climáticas recebam US$ 3 por dia, complementados por uma transferência extra a cada dez anos. Em troca, esses países adotariam mecanismos de precificação de carbono, ou seja, os emissores de gases desses países pagariam para poluir. A proposta relaciona a pobreza a problemas climáticos.

O mecanismo, desenvolvido em parceria com o marido dela, Abhijit Banerjee (também Nobel de Economia em 2019), e com Michael Greenstone, professor na Universidade de Chicago e conselheiro-chefe de economia do governo de Barack Obama, foi batizado de FAIR (justo em inglês, mas cujas iniciais significam previsível, automático, imediato e regular). “Mas, nos últimos, ele recebeu o apelido ‘Pix do Clima’”, disse, rindo, Duflo em sua apresentação — da qual também participou o presidente da Vale, Gustavo Pimenta.

O apelido vem do fato de que as pessoas dos países pobres mais atingidos pelas mudanças climáticas receberiam o dinheiro por uma transferência direta em suas contas, numa forma de financiamento para adaptação. “Ele (o mecanismo) não é caridade. É reconhecer danos. É criar justiça pela cooperação”, disse a economista.

Em sua apresentação, Duflo lembrou que os beneficiados vivem em áreas com menos acesso a ar condicionado e com poucas áreas verdes. Ela destacou que a taxa de mortalidade nesses países em dias muito quentes é superior à de países ricos. “O FAIR eliminaria a pobreza extrema e contribuiria para a adaptação”, destacou.

O custo do “Pix do Clima” seria de US$ 721 bilhões por ano. Segundo a economista, dado o volume de recursos, o montante teria de ser bancado com financiamento público. Para isso, países deveriam taxar em conjunto as maiores corporações multinacionais em 21%; e os bilionários, em 2%.

“Não é uma quantia enorme (…), mas os desafios são que pessoas ricas e grandes empresas são muito poderosas. Elas conseguem fazer lobby contra essas propostas e garantir que elas não aconteçam”, disse Duflo ao Estadão.

Questionado sobre a proposta de Dulfo, o presidente da Vale disse considerar positivo haver uma nivelação da taxação global das multinacionais para evitar o desbalanceamento entre diferentes localidades. Ele lembrou que a empresa já paga valores acima dos 21% sugeridos por Duflo.

Para a Nobel de Economia, a transferência à população dos países pobres se justifica porque os efeitos das mudanças climáticas são mais sentidos nos países de baixa e média renda, enquanto os responsáveis pelo acúmulo de emissões são os mais ricos. Ela também aponta que, dada a necessidade de crescimento econômico dos países mais pobres, suas emissões devem avançar também consideravelmente – daí a necessidade de colocar um preço nessas emissões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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