Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de agosto de 2021
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Médica de Chongqing, na China, mostrou que a Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac contra a covid-19, fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan, é capaz de dobrar, em quem já teve a doença, a quantidade de anticorpos neutralizantes e multiplicar em 4,4 vezes o nível de imunoglobulina IgG.
Anticorpos neutralizantes são responsáveis por combater uma eventual reinfecção pelo SARS-CoV-2). Já o IgG está ligado ao processo de defesa do organismo no qual atuam as imunoglobulinas encontradas na corrente sanguínea, e também desempenha papel fundamental na prevenção de reinfecção viral.
Os resultados preliminares da pesquisa, feita com 85 pacientes recuperados da covid-19, foram divulgados na Cell Discovery, publicação que faz parte do grupo britânico Nature. Os participantes do estudo tinham entre 3 e 84 anos e tinham contraído a doença, em sua maioria, no início de 2020.
De acordo com os resultados da pesquisa, o nível de anticorpos neutralizantes entre as pessoas que tiveram covid-19, que era de 36 um dia antes da primeira dose, foi subindo até atingir 108 duas semanas após a segunda dose. No grupo de controle, esse indicador alcançou 56 – ou seja, a quantidade de anticorpos neutralizantes gerados pela vacina em quem já havia se contaminado com covid-19 foi o dobro na comparação com quem não havia tido a doença.
Entre os convalescentes, o nível da imunoglobulina IgG, que era de 3,68 um dia antes da vacina, subiu para 47,74 duas semanas após a segunda dose de Coronavac. É uma quantidade 4,4 vezes superior ao nível de 10,81 detectado no grupo controle.
No entanto, ao longo dos 12 meses de acompanhamento dos 85 pacientes analisados, os níveis dos anticorpos neutralizantes diminuíram de 631, no fim do primeiro mês, para 84 no último mês. No caso da imunoglobulina IgG, o indicador caiu de 28,6 para 7,2 no mesmo período.
Casos graves
Já uma pesquisa realizada com 60,5 milhões de brasileiros vacinados entre janeiro e junho de 2021 mostrou que a Coronavac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, tem uma efetividade superior a 70% para evitar casos graves, internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e mortes causadas por covid-19, inclusive entre idosos. O estudo, que analisou a Coronavac e a vacina da AstraZeneca/Fiocruz, é o maior já realizado no Brasil sobre a efetividade da vacinação contra o SARS-CoV-2.
Do total de pessoas avaliadas que haviam completado o esquema vacinal com Coronavac (ou seja, tomado as duas doses), 72,6% apresentaram menor risco de hospitalização, 74,2% menor risco de admissão em UTI e 74% menor risco de morte. Em relação às pessoas entre 60 e 89 anos, a efetividade da vacina foi ainda melhor: 84,2% contra hospitalizações, 80,8% contra internações em UTI e 76,5% contra mortes.
O estudo foi realizado por pesquisadores das universidades federais da Bahia e de Ouro Preto, da Universidade de Brasília, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, da London School of Hygiene & Tropical Medicine e da Fundação Oswaldo Cruz Fiocruz. As conclusões foram publicadas no artigo “The effectiveness of Vaxzevria and Coronavac vaccines: A nationwide longitudinal retrospective study of 61 million Brazilians (VigiVac-COVID19)”, na plataforma de preprints MedRxiv.
Dos 60,5 milhões de brasileiros analisados no estudo, 21,9 milhões (36,2%) foram imunizados com a Coronavac, e 38,6 milhões (63,8%) com a vacina da AstraZeneca/Fiocruz. Ao todo, 26,8 milhões de pessoas (44,4% do total) tinham 60 anos ou mais. As informações são da Agência Brasil e do Instituto Butantan.
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