Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

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Mundo Sete mil mortes relacionadas ao coronavírus ocorreram em casas de repouso nos Estados Unidos

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A menos de duas semanas da eleição presidencial, país vê número de vítimas crescer e voltar a ficar acima de mil por dia. (Foto: Reprodução)

O primeiro aviso da devastação que o novo coronavírus poderia causar dentro dos lares americanos veio no final de fevereiro, quando os moradores de uma clínica de repouso em um subúrbio de Seattle pereceram enquanto as famílias esperavam impotentes do lado de fora. Nas seis semanas seguintes, surtos letais continuaram devastando asilos em todo o país. Uma contagem nacional do The New York Times descobriu que o número de pessoas que moravam ou estavam ligadas a casas de repouso e que morreram pelo novo coronavírus é de pelo menos 7 mil.

Em geral, cerca de um quinto das mortes pelo vírus nos Estados Unidos estão relacionadas a lares de idosos ou outras instituições de assistência. E mais de 36.500 residentes e funcionários em todo o país o contraíram.

Em entrevistas com mais de duas dúzias de trabalhadores em asilos e abrigos e também com parentes de residentes e especialistas em saúde, surgiu um retrato de um sistema sem equipamento para lidar com a epidemia e se desintegrando ainda mais em meio à crescente crise.

“Eles são um poço de morte”, disse Betsy McCaughey, ex-vice-governadora de Nova York que fundou o Comitê para Reduzir as Mortes por Infecções, uma campanha educacional que visa interromper infecções adquiridas em hospitais. “Esses lares de idosos já estão sobrecarregados. Eles estão lotados e com poucos funcionários. Um paciente positivo para Covid-19 em um lar de idosos produz uma carnificina.”

O número de casos nesses abrigos é quase certamente ainda maior, já que muitos abrigos de condados (como os limites municipais são divididos nos Estados Unidos) e Estados não forneceram informações detalhadas.

Testes de vírus e equipamentos de proteção têm sido escassos em muitos desses asilos, que estão entre os mais negligenciados no sistema de saúde. Os funcionários geralmente são trabalhadores mal remunerados que se deslocam entre vários empregos e voltam para casa com o risco de contrair o vírus.

Todos esses fatores permitiram que o coronavírus prosperasse, chegando a pelo menos 4.100 casas de repouso nos EUA e em outros abrigos.

Os abrigos demoraram a exigir que trabalhadores e moradores usassem máscaras. Diante da escassez de testes e máscaras, geralmente esperavam que os residentes apresentassem sintomas da Covid-19 antes de testá-los e isolá-los. Mesmo agora, os equipamentos de proteção são escassos em muitos abrigos.

Funcionários do setor de casas de repouso reconheceram nesta semana que muitas de suas instalações estavam em crise e disseram que não tinham o equipamento de proteção e os testes que os hospitais receberam.

“Não temos o que precisamos para deter isso”, disse Mark Parkinson, presidente e executivo-chefe da Associação Americana de Assistência à Saúde e do Centro Nacional de Vida Assistida, uma organização comercial que representa instalações de enfermagem qualificadas e lares assistidos que abrigam mais de 1 milhão de pessoas.

“As pessoas acabam culpando as casas de repouso e falando sobre como somos terríveis, mas é a completa falta de priorização que nos coloca na posição em que estamos.”

As instalações dos lares de idosos sofreram o impacto de uma mudança estrutural: os hospitais, procurando manter os custos baixos, enviam pacientes mais vulneráveis para esses lares. Mesmo antes da pandemia, 380 mil pessoas morriam a cada ano por infecção em instituições de longa permanência, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

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