Domingo, 31 de Maio de 2020

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Colunistas Coronavírus, o pânico, as distopias e a literatura

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A literatura é pródiga em mostrar distopias, que são o contrário das utopias. Por exemplo, uma distopia poder lida em 1984, de George Orwell. Escrita em 1948 (vejam a inversão do 48 para 84), o autor mostra um mundo futurístico em que todos são vigiados pelo Grande Irmão. O protagonista Winston é o cara que muda o presente e o futuro, a partir da alteração das notícias do passado. Linguagem é mundo, mostra Orwell.

Trata-se de uma critica ao totalitarismo, no caso, especialmente dirigido contra o regime de Stalin. Orwell tinha sido militante comunista. Algo parecido ele mostra na Revolução dos Bichos, em que os animais da fazenda se revoltam e tomam o poder.

Outra distopia é a Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, em que uma bactéria destrói os invasores marcianos. Vejam as distopias denunciados-anunciadas pela literatura.

No programa Direito & literatura que ancoro na TV Justiça, produzida na TV Unisinos (já fizemos 379 programas), tratamos de todos esses livros e desses temas. Ainda nesta semana gravamos Epidemias e Mídia, que irá ao ar brevemente. Mas os livros que utilizamos já foram objeto de outros programas.

Outra distopia vem de um programa de Orson Wells, de 1938. Um programa de rádio encenando a Guerra dos Mundos. Quem ligava o rádio logo após o início achava que era a narração da invasão marciana. Pânico e destruição de verdade, causadas pela mídia.

Hoje vivemos ao vivo uma “distopia do presente”, com o corona vírus. A mídia está se portando bem? Parece que sim, embora possa estar exagerando na dose. Ocorre que os próprios governos se atrapalharam. Em todos os países. Trump acha que vírus possui passaporte e pode ser barrado na alfândega.

Não sei se era necessário que a Unicamp suspendesse já na quarta-feira as aulas. A Sociedade Brasileira de Infectologia diz que há que ter cautela nesses fechamentos de escolas etc.

Vejam: não dá para parar o país e a economia. Não adianta evitar uma epidemia de baixa letalidade com o preço econômico de alta letalidade, se me entendem.

Curiosidades: O ministro Wajngarten pegou o vírus e viajou com a equipe de Bolsonaro. Empestou provavelmente a todos, quiçá também o presidente dos EUA. Não é fácil atingir o Presidente dos EUA. Dia desses ouvi a entrevista do fundador da Churrascaria Fogo de Chão. Ele serviu carne com espeto e tudo ao Presidente Bush. Quando estava cortando uma fatia de picanha, próximo à cabeça do Presidente, este lhe disse: você é o cara que chegou mais próximo com uma faca do presidente dos Estados Unidos até hoje.

Resta saber se o Wajngarten chegou próximo. De Bolsonaro ele chegou. O primeiro teste deu positivo no nosso Presidente. Espero que as bolsas não caiam por causa disso e o dólar não suba mais ainda. Nota: escrevo esta coluna ao meio dia de sexta-feira, porque logo após me refugio no meu bunker nas montanhas.

Post scriptum: depende como se diz uma coisa

O GRENAL foi um fiasco. Bom, ele foi vendido ao público como se houvesse a Guerra dos Mundos. Os jogadores acreditaram. Se você espalha que o mundo vai acabar, é capaz de acabar, mesmo, como em um conto peruano ou colombiano, no me acuerdo bién, em que a mãe acorda de uma borracheira da noite anterior e diz para o filho: “o mundo vai acabar. Compre um quilo de erva na venda, logo”. O menino vai na venda e diz: “me vende um quilo, quer dizer, dois quilos de erva, porque a minha mãe disse que o mundo vai acabar”. O vendeiro diz para o próximo freguês que deve levar o dobro de compras, porque dizem que o mundo vai acabar. E assim foi. No final do dia, a mãe, quem tirara uma soneca, levanta-se e olha pela janela o vilarejo em chamas. E diz: “eu tinha razão. O mundo está acabando”.

Bingo. Eis o GRENAL do século.

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