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Geral Coronel Mauro Cid abre mão do sigilo fiscal de sua conta bancária nos Estados Unidos para a Polícia Federal

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Perícia no celular do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, identificou documentos com GLO e diversos contatos. (Foto: Reprodução)

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o coronel Mauro Cid, ficou em silêncio em seu depoimento à PF (Polícia Federal), nesta quinta-feira (18), mas abriu mão do sigilo fiscal da sua conta bancária em Miami, nos Estados Unidos. O gesto é uma tentativa de dar um sinal de cooperação aos investigadores. A oitiva tinha como foco o esquema de fraude em cartões de vacinação dele, de seus familiares e de Bolsonaro.

O militar passou a ser investigado também pelo crime de lavagem de dinheiro e sua conta no exterior é um dos principais elementos em apuração. No cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa de Cid, no início do mês, a PF encontrou US$ 35 mil e R$ 16 mil em espécie que estavam guardados em um cofre.

Segundo as investigações, os valores teriam sido sacados pelo ex-ajudante de ordens de sua conta em Miami, em março.

O retorno do militar com o montante teria acontecido um dia antes de o ex-presidente Bolsonaro voltar ao Brasil, após passar uma temporada de três meses em Orlando, nos Estados Unidos.

A expectativa de Bolsonaro e seu entorno era a de que Cid assumisse a culpa pelas fraudes no cartão de vacina, o que não aconteceu. A defesa de Cid reafirmou que por respeito ao Supremo Tribunal Federal só fará manifestações nos autos do processo.

Operação Venire

Deflagrada no dia 3 de maio, a Operação Venire teve como um dos alvos de mandado de busca e apreensão a residência do ex-presidente Bolsonaro, que foi ouvido na tarde de terça-feira (16), por cerca de três horas e meia, pela PF.

A imunização teria sido feita na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Parque Peruche, em São Paulo, no dia 19 de julho de 2021. De acordo com o município, apesar de haver o registro do sistema Vacivida com o CPF de Bolsonaro, a UBS nunca fez atendimento de saúde ao ex-presidente, nem recebeu o lote da vacina citado no registro. Além disso, a profissional registrada como suposta vacinadora nunca trabalhou naquela unidade.

A Controladoria-Geral da União (CGU) informou haver uma investigação preliminar sumária (IPS) em curso, iniciada nos últimos dias do governo anterior, envolvendo denúncia de adulteração do cartão de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No mesmo dia em que Mauro Cid permaneceu em silêncio ao depor, o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), tentou se desvencilhar de irregularidades que o oficial possa ter cometido no caso dos cartões fraudados de vacinação. Bolsonaro disse “esperar” que Cid não tenha feito nada de errado.

“Não tenho conversado com ele (Cid). Vi que ele ficou em silêncio. Isso é ele com o advogado dele. Foi um excelente oficial do Exército brasileiro, é jovem ainda. Ele fez o melhor de si. Peço a Deus que não tenha errado e cada um siga a sua vida”, disse. As informações são dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo e da Agência Brasil.

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