Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de junho de 2016
Ter uma conta-corrente livre de tarifas, mas com serviços exclusivamente digitais (pelo computador, pelo tablet ou pelo celular). Essa é a proposta que vem ganhando cada vez mais espaço no setor bancário.
Desde o fim do ano passado, três instituições lançaram esse tipo de produto: o Banco Original, o Banco Intermedium e o Celcoin. Apesar de a novidade já existir também em grandes instituições financeiras – Itaú, BB (Banco do Brasil) e Bradesco –, muitos desconhecem a existência da conta 100% digital. Praticamente todos os serviços feitos presencialmente nas agências bancárias podem ser administrados também de forma on-line.
João Vitor Menin, presidente do Intermedium, explica que, uma vez aberta a conta, o cliente recebe uma senha e pode acessar todos os serviços, sem a cobrança de tarifas. Caso precise esclarecer alguma dúvida, pode entrar em contato por um dos canais de atendimento: “Temos como atender os nossos correntistas por vários canais: Twitter, Facebook, telefone 0800, e-mail”.
Sobre os perfis dos mais de 25 mil clientes com contas digitais, Menin diz que são variados: “Temos correntistas da classe AA à classe E. Mas, em geral, são pessoas que dão valor ao dinheiro, e o que elas mais prezam é a gratuidade bancária. O brasileiro paga uma alta carga de tarifas e nem sempre percebe”.
O processo de abertura da conta depende de cada banco. No Intermedium, no Original e no Celcoin, tudo é feito de forma on-line. Nos grandes bancos, exige-se a presença em uma agência. No Itaú, por exemplo, é preciso fazer o cadastramento biométrico (impressões digitais). Nas instituições convencionais, não há cobrança de tarifas, mas existe a opção de o cliente usar serviços presenciais, desde que pague por fora.
“É uma modalidade de conta movimentada exclusivamente com cartão e que contempla todos os serviços disponíveis para as contas-correntes, exceto o uso de folhas de cheques”, explicou Edmar Casalatina, diretor de Empréstimos e Financiamentos do BB, a respeito da Conta Eletrônica.
Vínculo com o celular.
A proposta do Celcoin é um pouco diferente daquelas das outras instituições: trata-se também de uma conta totalmente digital, mas vinculada ao número de celular do cliente. O futuro correntista baixa o aplicativo em seu aparelho, preenche algumas informações e já pode começar a utilizar os serviços gratuitamente. Marcelo França, executivo da empresa, esclarece que as únicas tarifas cobradas são pelas retiradas: 5,90 reais, no caso de saque de uma conta de banco vinculada à empresa, e 1,90 real, em um dos pontos da rede própria. “O objetivo é democratizar o acesso à rede financeira, sem nenhum tipo de restrição por causa de renda, de negativação ou de burocracia”, disse França.
Para Marcello Gonella, professor de administração, no entanto, apesar de estar se abrindo um novo leque no mercado, ainda falta muito para essa modalidade 100% digital superar a convencional.
“Não são todos os brasileiros que têm celulares com capacidade para o que esses aplicativos oferecem hoje. E em muitos lugares do Brasil não têm agências ou caixas eletrônicos. O País ainda tem um bom espaço para a expansão presencial.” (AG)
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