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Brasil O Brasil registra aumento de mortes prematuras. Levantamento mostra elevação de óbitos em pessoas de 30 a 69 anos

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País envelhece, sofre com problemas de gestão e escassez de recursos e retrocede na saúde. (Foto: Freepik)

Há um avanço crescente das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil e no mundo. Os problemas cardiovasculares, diabetes, câncer e enfermidades respiratórias crônicas respondem por cerca de 7 em cada 10 mortes de brasileiros, conforme levantamento inédito do Ministério da Saúde.

Em 2016, ano dos dados disponíveis mais recentes, doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas responderam por 421 mortes a cada 100 mil habitantes. Para comparação, até 2015, essa taxa vinha em queda, com 418,9 mortes nessa proporção naquele ano.

Na população entre 30 a 69 anos, que engloba a faixa de mortes prematuras, a alerta é ainda maior. Em 2016, a taxa foi de 354,8 mortes a cada 100 mil habitantes. Um ano antes, era de 350,7.

Até então, apesar do aumento de casos dessas doenças no sistema de saúde, o crescimento populacional e o estímulo a políticas de prevenção permitiam ao país manter as taxas de mortalidade precoce em queda.

“Vemos um pequeno aumento em relação ao ano anterior, o que não ocorria desde 2000”, afirma a diretora do departamento de doenças não transmissíveis do Ministério da Saúde, Fátima Marinho.

Conforme o jornal Folha de S.Paulo, o levantamento mostra aumento na taxa de mortalidade geral e prematura no Brasil por causa das principais doenças crônicas. O problema é que, se antes o País vinha apresentando sucesso em tentativas de controle de complicações e óbitos causados por essas doenças, agora, essa frente volta a preocupar.

A variação nas taxas também tem preocupado especialistas que monitoram o mesmo cenário. “Estamos assustados. O que observávamos é que o Brasil estava sempre com uma queda. E entre 2015 e 2016, vimos uma estabilidade e risco de aumento”, diz Deborah Malta, professora associada da UFMG e coordenadora no Brasil do estudo Carga Global de Doenças.

Segundo ela, com o envelhecimento populacional, já é esperado um aumento no número de mortes por essas causas -mas não na população jovem. “Morrer por doença crônica provavelmente é o futuro de grande parte da população brasileira, mas não morrer prematuramente.”

Apesar do quadro, o governo federal afirma que ainda é cedo para verificar com clareza uma mudança de tendência. Mas admite o alerta.

“Já tínhamos no Brasil uma taxa de mortalidade prematura mais alta que países desenvolvidos e do que outros países da América Latina”, diz Fátima Marinho, que lembra que se tratam de mortes evitáveis..

De acordo com a diretora, a interrupção da queda e o aumento de casos tem sido puxada principalmente pelo crescimento na taxa de mortalidade por AVC e doenças isquêmicas do coração.

A situação faz o País deixar de cumprir a principal meta do Plano Nacional de Enfrentamento de Doenças Crônicas, firmado em 2011 e que segue até 2022. O plano previa uma redução de ao menos 2% ao ano nas taxas de mortalidade entre pessoas de 30 a 69 anos. Nos últimos anos, essa redução chegou a até 5% ao ano.

Também coloca em risco a previsão de reduzir em até 25% as mortes por doenças crônicas até 2025, compromisso firmado com a Organização Mundial de Saúde (agora revisto para 30% nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que seguem até 2030).

O Ministério da Saúde já organiza reuniões com secretários de saúde para definir medidas que podem ser adotadas.

Mas o que leva a esse aumento? Segundo Malta, embora o avanço do envelhecimento no País seja acompanhado pelo crescimento das doenças crônicas, isso não explicaria a estabilidade na taxa de mortes prematuras.

Para ela, o cenário pode estar ligado à crise recente, que tem impacto no acesso ao emprego e no sistema de saúde.

Outro motivo é uma possível piora nos níveis de assistência em alguns Estados devido ao aperto nas contas.

“Já é provado que uma parte da redução das mortes por doenças cardiovasculares ocorreu devido à tecnologia. Serviços de saúde bem equipados fazem a diferença nessas doenças. Mas se tem piora na situação socioeconômica, há piora na assistência. Existem empregados que ficaram sem planos de saúde e vieram para o SUS”, completa Deborah Malta.

Estagnação

O aumento nas mortes por doenças crônicas ocorre em conjunto com sinais de alerta no monitoramento de alguns fatores de risco.

É o caso da prática de atividades físicas, por exemplo. Entre 2011 e 2015, o número de brasileiros adultos que faziam pelo menos 150 minutos de exercícios de intensidade moderada no tempo livre passou de 31,6% para 37,6%.
Esse avanço, porém, empacou nos últimos dois anos -em 2017, a taxa foi de 37%. O mesmo ocorreu em relação ao consumo de frutas e verduras, que vinha crescendo até 2015. Nos últimos dois anos, porém, a taxa passou de 25,2% para 23,2%.

Soma-se a esse cenário a dificuldade em reduzir o índice de fumantes e o crescente aumento no percentual de adultos que fazem consumo considerado abusivo de álcool.

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