Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de junho de 2021
A pandemia da covid-19 trouxe atraso no diagnóstico e tratamento de muitas doenças, entre elas disfunções que geram problemas oculares. Isso porque, como resultado das medidas de prevenção e controle impostas, muitos pacientes tiveram seus atendimentos, exames, tratamentos e cirurgias eletivas (não urgentes) adiados. No entanto, especialistas alertam que a postergação da consulta com um oftalmologista tem aumentado o número de casos irreversíveis de cegueira.
De acordo com a oftalmologista do Centro Avançado de Oftalmologia do Hospital São Vicente de Paulo e especialista em glaucoma, Luísa Aguiar, o principal motivo pelo qual pacientes estão deixando de ir às consultas médicas é o medo de contágio pelo coronavírus. Ela, que acompanha pacientes com a doença, conta que a indicação de retorno médico é indispensável, especialmente em casos em que a anomalia é degenerativa. De 2020 para cá, a especialista já presenciou quase dez casos de pacientes que tiveram perda total ou parcial da visão.
“Tive casos de pacientes que ficaram cegos porque demoraram cerca de duas semanas para procurar atendimento. Após a pandemia, haverá um boom de casos como esses ou porque não conseguiram atendimento em hospitais públicos ou porque não procuraram atendimento por medo de contágio pela Covid”, aponta Luísa.
Um levantamento realizado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, em parceria com a consultoria 360º CI, aponta uma queda de 1,6 milhão de exames para detecção precoce do glaucoma no Sistema Único de Saúde durante a pandemia – diminuição de cerca de 27% em relação a 2019. Ainda de acordo com a análise, pelo menos 6,5 mil cirurgias para tratar a doença deixaram de ser realizadas pelo SUS ao longo de 2020, o que representa uma queda de 22% em relação ao ano anterior.
Somado ao medo do contágio, o chefe do Centro Avançado de Oftalmologia do Hospital São Vicente de Paulo, Tiago Bisol, explica que os efeitos ocasionados pela pandemia, como alimentação irregular e sedentarismo, favorecem o agravamento de problemas oculares considerados leves e causam perda severa de visão em pacientes que já apresentam doenças em estágios avançados.
“Os quadros clínicos especialmente de pacientes com doenças crônicas e emocionais foram muito agravados. Quem tem retinopatia diabética, que é uma das doenças que causam cegueira, foi um dos mais atingidos pela pandemia, porque com o aumento do índice glicêmico, o quadro piora bastante”, explica.
Segundo o médico membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Rodrigo Pegado, por serem doenças oculares que atingem principalmente pessoas idosas, o risco foi duplicado, tanto pelo desenvolvimento acelerado do problema quanto pela infecção pelo coronavírus. No entanto, o especialista afirma que a vacinação rápida da população ajudará a desafogar os leitos dos hospitais e reduzir a gravidade da pandemia, fazendo com que seja possível retomar cirurgias e atendimentos seguros em hospitais.
“No começo da pandemia estávamos operando apenas casos urgentes, fazendo o teste PCR antes das cirurgias. Mesmo segundo as recomendações de segurança, a vacinação é fundamental, especialmente nos idosos e médicos”, diz.
Hábitos para prevenir doenças na visão:
– 1 – Visite o oftalmologista com o espaçamento de tempo exato determinado pelo médico
– 2 – Siga uma alimentação equilibrada e preze pela saúde mental
– 3 – Evite a automedicação e exames feitos por óticas
– 4 – Evite a exposição excessiva ao sol e telas de computadores e celulares
– 5 – Não utilize produtos químicos muito próximos aos olhos
Doenças oculares
–Retinopatia Diabética: A retinopatia diabética é causada por danos aos vasos sanguíneos no tecido da retina. Os primeiros sintomas incluem moscas volantes, borrões, áreas escuras na visão e dificuldade de distinguir cores. É possível tratar casos leves com um controle cuidadoso do diabetes. Já os casos avançados podem necessitar de tratamento a laser ou cirurgia.
–Glaucoma: Em todos os tipos de glaucoma, o nervo que liga o olho ao cérebro encontra-se danificado, geralmente devido à alta pressão ocular e tem como principal sintoma a perda lenta da visão. O tratamento inclui colírios, medicamentos e cirurgia.
– Catarata: A maioria dos casos de catarata desenvolve-se lentamente ao longo de anos. O principal sintoma é a visão embaçada, como se a pessoa estivesse olhando por um vidro opaco. A catarata tem cura e pode ser corrigida através de cirurgia.
– Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI): A DMRI afeta a área central da retina (a mácula) O principal sintoma da degeneração da visão central, que tira a nitidez da imagem. Após o exame, o médico realizará o diagnóstico para categorizar como tipo “seco” ou “úmido”. Por ser uma doença degenerativa, a DMRI não tem cura, mas é possível tratá-la. As informações são do jornal Extra.
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