Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de fevereiro de 2019
A Livraria Saraiva, rede de varejo líder de vendas de livros no País e que passa por crise financeira, apresentou na segunda-feira (4) o plano de recuperação dos seus negócios aos credores. A centenária companhia, que fechou mais de 20 lojas no Brasil, propõe pagar apenas 5% da sua dívida em 15 anos — parcelas anuais por 14 anos, após 12 meses de carência. Os 95% restantes da dívida seriam transformados em debêntures (títulos de dívidas) a serem emitidos em 2034 — ou seja, em 16 anos a partir da homologação do plano pela Justiça.
A Livraria Saraiva está em recuperação judicial desde novembro do ano passado, quando pediu uma trégua para não quebrar. A dívida total da companhia chega a R$ 684 milhões. No plano de recuperação, a varejista atribui suas dificuldades financeiras a uma série de fatores: crise da economia brasileira, falta de abastecimento pelos fornecedores, dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico e escassez de crédito bancário.
A exemplo do que foi feito pela concorrente Livraria Cultura, que também está em recuperação judicial com uma dívida total que chega a R$ 285 milhões, a Saraiva ofereceu no plano condições muito mais favoráveis aos chamados “credores parceiros”. Editoras, locadores de imóveis e outros fornecedores que sigam trabalhando com a empresa em condições iguais ou mais favoráveis que as atuais receberão 60% da dívida em 15 anos. Os 40% restantes seriam convertidos em debêntures a partir do 16º ano.
Fornecedores têm de se comprometer a seguir vendendo produtos por dois anos, enquanto locadores de imóveis precisam garantir que manterão o mesmo aluguel por cinco anos. A existência dos “credores parceiros” é uma estratégia das varejistas de livros para seguir operando e tentar sobreviver. Boa parte das editoras do País é fornecedora da Saraiva e da Cultura.
Funcionários e ex-funcionários não estão incluídos nas condições descritas. Para os credores trabalhistas, a Saraiva propôs pagar no máximo R$ 100 mil, parcelados mensalmente durante um ano. O plano de recuperação da Saraiva precisa ser aprovado em assembleia geral de credores e, portanto, ainda pode sofrer modificações.
Supermercado
O bilionário russo Mikhail Fridman ofereceu € 417 milhões (R$ 1,7 bilhões) para assumir o controle total da rede espanhola de supermercados Dia. A LetterOne, companhia de Fridman, já possui 29% das ações da varejista. Após o anúncio, as ações do Dia na Bolsa de Valores de Madri subiram mais de 70%. A rede espanhola passa por uma crise desde 2017. No ano passado, o Dia perdeu mais de 90% do valor de mercado.
O Dia e seus franqueados têm uma rede de mais de 7.400 lojas espalhadas por Espanha, Portugal, Brasil e Argentina. A terceira maior rede da Espanha, porém, viu sua participação no mercado cair por causa da disputa com o grupo local Mercadona, que tem 25% do mercado no país ibérico, e com a cadeira alemã de descontos Lidl. Maiores, os concorrentes têm capacidade de serem mais competitivos nos preços.
Originalmente, o Dia, fundado em 1979, pertencia à rede francesa Carrefour. A separação ocorreu em 2011, com a ida da espanhola para a Bolsa. Em 2014, o Carrefour comprou a operação do Dia na França por € 800 milhões.
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