Quarta-feira, 19 de agosto de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Articulação política e crises de saúde: os 100 dias de Bolsonaro em prisão domiciliar

Compartilhe esta notícia:

Bolsonaro foi internado no dia 24 de dezembro para fazer uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. (Foto: Ton Molina/STF)

Cem dias após o início da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, completados nessa terça-feira (11), o ex-presidente permanece recluso em sua casa no Jardim Botânico, em Brasília, monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele está proibido de usar redes sociais e de receber visitantes sem autorização judicial. O período foi marcado por um cotidiano restrito, crises de saúde, tentativas de reaproximação com aliados e uma narrativa de “perseguição” que unificou sua base política.

A decisão que determinou o regime domiciliar foi assinada em 4 de agosto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o ex-presidente descumprir medidas cautelares que o impediam de se comunicar politicamente. Desde então, Bolsonaro só pôde sair de casa em situações médicas emergenciais ou com autorização expressa do ministro.

Nos primeiros dias após a decisão, Moraes autorizou que familiares próximos pudessem visitar Bolsonaro sem necessidade de novo aval judicial. Ainda em agosto, ele recebeu visitas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ambos aliados históricos. O ministro do STF também permitiu a entrada de figuras como Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e Magno Malta (PL), senador pelo Espírito Santo.

Paralelamente, a Polícia Penal do Distrito Federal reforçou o monitoramento do ex-presidente, com vigilância e inspeções em veículos que entram e saem da residência. A decisão veio após novas provas da Polícia Federal que resultaram no indiciamento de Bolsonaro e do filho Eduardo por coação de autoridades envolvidas na investigação sobre a tentativa de golpe.

A saúde de Bolsonaro voltou a gerar preocupação em outubro, quando seu médico, Cláudio Birolini, relatou crises recorrentes de soluços e vômitos, agravadas por longas conversas ou momentos de exaltação. Segundo aliados, o ex-presidente chegou a passar noites debilitado e alternando períodos de silêncio com breves diálogos de teor político.

Mesmo com o quadro frágil, Bolsonaro seguiu recebendo visitas frequentes de aliados – entre eles Tarcísio, Esperidião Amin (PP-SC) e Caroline De Toni (PL-SC) – e manteve, com autorização judicial, encontros de oração às quartas-feiras em casa.

Em meados de outubro, a defesa solicitou permissão ao STF para a realização da festa de 15 anos da filha, Laura Bolsonaro, em Brasília. O pedido, apresentado como um “almoço de cunho familiar”, buscava reunir amigos e parlamentares próximos da família, como a senadora Damares Alves (Republicanos).

Além da tornozeleira eletrônica, Bolsonaro está proibido de manter contato com embaixadores, autoridades estrangeiras e outros investigados nos processos que envolvem o 8 de Janeiro e a tentativa de golpe. Ele também não pode utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, o que inclui publicações por meio de familiares e aliados.

O descumprimento dessas regras foi justamente o que motivou a prisão domiciliar. Em julho, Moraes entendeu que um vídeo divulgado na conta do senador Flávio Bolsonaro, com mensagem do pai a apoiadores, violava a ordem judicial. O episódio levou à determinação de reclusão domiciliar e à reação imediata de aliados no Congresso, que chegaram a ocupar o plenário em protesto.

Reação

Com o passar dos meses, a narrativa de que Bolsonaro é vítima de perseguição política se consolidou entre apoiadores. No dia em que completou 100 dias de prisão, deputados e ex-ministros publicaram mensagens nas redes sociais em defesa do ex-presidente.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que “Maduro fez escola”, e que “o único jeito de impedir a vitória de Bolsonaro é prendendo ou matando”. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu que o pai está “preso e censurado sem acusação ou sentença”.

O ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem classificou a medida como “ordem absurdamente ilegal de um regime de exceção”, enquanto o deputado federal e ex-ministro da Saúde de Bolsonaro Eduardo Pazuello (PL-RJ) afirmou que Bolsonaro é tratado “como inimigo de Estado”. Padre Kelmon, candidato a presidente em 2022, por sua vez, lamentou os “cem dias sem o direito de falar” do ex-presidente.

O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) pediu “anistia já” e o ex-ministro Gilson Machado Filho afirmou que Jair Bolsonaro passou “100 dias preso, sem cometer crime algum”.

A defesa de Bolsonaro mantém o discurso de que o ex-presidente tem colaborado com a Justiça e pede a revisão da prisão domiciliar, alegando que as restrições são desproporcionais. Moraes ainda não se manifestou sobre os novos pedidos. (Com informações do jornal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

3 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Jorge Bressan
12 de novembro de 2025 15:13

O governo está despejando muita grana nestas emissoras!

Lauro Junges
12 de novembro de 2025 11:37

Como alguém que foi “agraciado” com a Lei Magnitsky pode ficar deturbando a vida de pessoas de bem?
Cadê a democracia que é tanto citada pelos governantes? Pessoas que nem armadas estavam estão presos sem o devido processo? O pior é a imprensa que não fala desta falsa democracia, ou vocês vivem do dinheiro que o governo destina aos amiguinhos para falar de bem?
CANALHAS!!!!!

Vanderlei Ochoa
12 de novembro de 2025 19:07

A direita decente se meteu com esses marginais extremistas. Agora podemos dizer que toda a direita se contaminou com os marginais golpistas. Portanto podemos chamar de direita golpista sem a menor sombra de dúvidas.

Empresa estatal patrocina livro da irmã de aliado de seu presidente
Governador do Distrito Federal diz não poder garantir condições da Penitenciária da Papuda para receber Bolsonaro sem conhecer seu quadro de saúde
Pode te interessar
3
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x