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Por Redação O Sul | 26 de abril de 2020
O cruzeiro de navio pelo mediterrâneo era o sonho do casal Lígia Cossina e Thiago Azevedo Paes para comemorar os dois anos de matrimônio, mas a viagem se transformou num pesadelo que parece infinito. Depois de um mês a bordo do Costa Victoria, em 8 de abril eles fizeram o teste para a Covid-19 e resultaram infectados, apesar de assintomáticos. A partir daí, ficaram isolados em cabines separadas no navio.
Em 20 de abril, eles foram transferidos para um hotel em Roma, onde permanecem em quartos separados. Para comprovar o diagnóstico de coronavírus são necessários dois exames, com intervalo de duas semanas. A segunda análise foi feita na sexta-feira (24), dezesseis dias depois do primeiro exame.
“Existem dois próximos grandes passos. Temos que realizar o exame de contraprova que deve ser feito 24 horas após este teste e também o voo de retorno ao Brasil. Nós não temos ainda qualquer informação sobre os próximos passos. Nada concreto, nenhuma informação é compartilhada conosco em relação a isso. Então, uma série de incertezas ainda estão conosco neste momento” explica Lígia.
Enquanto aguardam respostas, a incerteza é uma tortura em conta gotas. A exaustão do casal começou há quase dois meses, quando embarcaram no navio Costa Victoria no porto de Dubai no último 7 de março.
“A empresa do Cruzeiro a todo momento nos tranquilizou e nos encorajou a seguir adiante nessa viagem, informando que não teríamos qualquer problema de contaminação, comunicando, também, que haviam tomado todas as medidas necessárias para não haver nenhum problema. Eles impediram o embarque dos orientais, japoneses, chineses e dos próprios italianos”.
Segundo ela, a temperatura dos passageiros foi controlada antes do embarque e só foi permitia a entrada a bordo de pessoas com menos de 37,5°. A companhia deliberou o uso álcool em gel com monitoramento.
Pandemia
Quatro dias depois do embarque, a Organização Mundial da Saúde declarou pandemia por causa do novo coronavírus. A partir daí, o navio não pode ancorar em nenhum dos destinos que haviam sido propostos pelo cruzeiro.
No dia 22 de março, o navio ancorou perto do porto de Creta, na Grécia, para o desembarque de uma passageira argentina com sintomas de Covid-19. Para evitar a disseminação do vírus, foi decretado a quarentena dentro do navio. Todos os passageiros tiveram que ficar isolados dentro das cabines.
“Eu e meu marido ficamos 8 dias dentro de uma cabine sem acesso à luz do dia. O ar condicionado do navio apresentou problemas liberando uma fumaça preta, um pó preto. Nós reportamos o problema à recepção, mas eles informaram que não poderiam entrar na cabine para fazer a manutenção devido à quarentena e nós permanecemos assim durante oito dias. Após muitos apelos e pedidos de ajuda, nós fomos transferidos para uma cabine com acesso à luz do dia,” conta.
Lígia relata que durante este isolamento recebiam 3 refeições por dia. As bandejas com os pratos eram deixadas nas portas das cabines, apoiadas no chão.
“Nas refeições haviam fios de cabelo e talheres com resíduo de sujeira. O que nos despertou certa angústia por imaginar que nós poderíamos estar sendo contaminados através daquilo que estávamos recebendo na cabine.
Após 17 dias de quarentena, fomos realizar o exame de Covid-19, no qual eu e meu marido apresentamos resultado positivo. A partir daí, deu inicio uma nova quarentena”.
Depois do resultado positivo, o casal foi separado, cada um em uma cabine, onde permaneceram por oito dias até serem transferidos para o hotel. Mas a transferência também foi um tormento. O casal de brasileiros, junto com um passageiro americano, foi transportado em um veículo improvisado, cujos assentos foram cobertos com sacos plásticos.
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