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Mundo Cuba corta internet e promove apagão digital para esfriar protestos

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Governo acusa opositores de mentir nas redes sociais e opositores dizem que o governo pode ter criado uma pseudo-inverdade. (Foto: Getty Images)

Moradores de Cuba estão sem internet. A medida foi tomada pelo governo depois dos protestos contra a administração nas ruas da ilha. Um dos motivos para a ação é o fato de as manifestações terem sido organizadas pelas plataformas de mídias sociais.

O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que os atos foram praticados por “delinquentes” que “manipulam as emoções da população por meio das redes sociais”. De acordo com o NetBlocks, que monitora a internet livre pelo mundo, o acesso à web foi suspenso em quase 50 pontos do país.

Segundo a organização, houve interrupção parcial de acesso a plataformas de mídias sociais (como Facebook e Instagram) e mensagens (como WhatsApp e Telegram) a partir de segunda-feira (12), com continuação na manhã desta terça-feira (13). A entidade detectou que as estatais Empresa de Telecomunicações de Cuba (Empresa de Telecomunicaciones de Cuba – ETECSA) e Cubacel operavam de forma instável, o que confirma os relatos de usuários.

Na segunda, dezenas de mulheres reunidas em frente às esquadras da polícia tentavam obter informações sobre o paradeiro de maridos, filhos e parentes presos ou desaparecidos durante as manifestações.

Até o momento, as autoridades não divulgaram ainda um número oficial de detenções, mas existe uma lista provisória elaborada por ativistas locais que conta com 65 nomes só em Havana.

Entre os detidos há personalidades conhecidas como o artista Luis Manuel Otero Alcántara, o dissidente moderado Manuel Cuesta Morúa ou o dramaturgo Yunior García Aguilera.

Morte

O governo de Cuba registrou nesta terça a primeira morte relacionada aos protestos contra a escassez de alimentos e vacinas contra a covid-19 que atingem o país desde o fim de semana. Segundo o ministério do Interior, uma pessoa morreu na segunda, na periferia de Havana.

Segundo a Agência Cubana de Notícias, a vítima foi identificada como Diubis Laurencio Tejeda, de 36 anos. O governo lamentou a morte, mas não esclareceu as circunstâncias em que ela ocorreu.

Entenda

Os protestos eclodiram em meio a uma grave crise econômica e de saúde em Cuba, onde a pandemia do novo coronavírus ganha força, ao mesmo tempo em que o país perde cruciais dólares vindos do setor do turismo.

Muitas pessoas não conseguem trabalhar porque restaurantes e outras empresas estão fechadas há meses. Além disso, desde o começo da pandemia, os cubanos são obrigados a esperar em longas filas para obter alimentos, uma situação que se somou a uma grave escassez de medicamentos, o que desencadeou um mal-estar social generalizado.

“As pessoas estão morrendo de fome!”, gritava uma mulher durante um protesto filmado na província de Artemisa. “Nossos filhos estão morrendo de fome!”

Representantes da comunidade internacional se dividiram nas reações aos protestos. EUA, União Europeia e ONU pediram respeito ao direito de manifestação do povo cubano na segunda, após o governo reprimir os manifestantes e convocar apoiadores a “enfrentar” as provocações na noite de domingo. A Rússia pediu respeito à soberania cubana, enquanto o México ofereceu apoio ao governo cubano para enfrentar a atual crise.

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