Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de outubro de 2016
O estresse é um sintoma muitas vezes indescritível. Ele pode ser caracterizado por sensações de medo, desconforto, preocupação, irritação, frustração, indignação e pode ser motivado por diversas razões distintas. Além disso, muitas vezes, a causa é desconhecida.
Para a psiquiatra Juliana Garbayo dos Santos, o estresse é a resposta fisiológica do organismo a uma mudança ou demanda fora do habitual. Ela acrescenta que os fatores que provocam o estresse podem ser externos, como o trabalho, ou internos, como uma doença aguda que exige uma resposta rápida do organismo.
Embora a palavra “estresse” venha carregada de conotações negativas, Juliana ensina que, ao contrário do que muitos imaginam, não é sempre ruim. Pode até ser benéfico: “Ele nos permite enfrentar os desafios, preparando nosso corpo para lidar com tudo que possa ser considerado uma ameaça ao bem-estar físico ou psíquico. O organismo estressado está pronto para enfrentar um perigo iminente: lutando ou fugindo. Esta reação é essencial para a defesa da vida”.
Então, por que sofremos tanto com as consequências do estresse? A psiquiatra explica que, na contemporaneidade, estas situações de “alarme” não têm acontecido somente em picos, para nossa defesa, e sim em manifestações mais sutis, e, o que é pior, constantes.
“Excesso de trabalho, medo da violência, preocupações financeiras, por exemplo, geram um estado de tensão que leva nosso organismo a ficar o tempo todo ‘em alerta’. Ele não é uma doença, mas gera alterações no funcionamento do organismo”, diz.
Mulheres são as mais afetadas.
O estado estressante pode facilitar, agravar ou desencadear diversas doenças: hipertensão arterial, obesidade, dores musculares, dificuldade de concentração, depressão, ansiedade e diminuição da libido, além de doenças autoimunes e até câncer.
Segundo um estudo de 2003, do livro “Psicologia: Reflexão e Crítica”, as mulheres ainda são mais afetadas, e muito, pela exigência de serem “boas” em todas as áreas de atuação. “Esse estudo verificou sintomas significativos de estresse em 79% das mulheres e 52% dos homens, aproximadamente”, diz Juliana.
A profissional alerta ainda que, para diminuí-lo, é importante exercitar o autoconhecimento, o que vai facilitar a percepção dos sinais de que algo não vai bem. “É melhor ser feliz do que ser perfeito. No geral, somos muito mais condescendentes com os outros do que conosco. Aplicar a compaixão consigo é uma ótima dica.”
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