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Saúde Cultura machista faz com que as mulheres se sintam culpadas pelo assédio masculino

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No Brasil, em uma pesquisa com mulheres de 14 a 24 anos, 77% afirmaram terem sido assediadas sexualmente e 94% verbalmente. (Crédito: Reprodução)

A educação que um número significativo de meninas recebe, ainda nos dias de hoje, faz com que muitas sintam culpa ao serem alvo de assédio masculino. Em geral, prevalece a ideia de que a mulher provocou, não soube se comportar direito ou se proteger.

Enquanto a sexualidade dos meninos é estimulada, acontece o oposto com a das garotas. “As meninas são socializadas para serem controladas e se sentirem culpadas”, diz Viviana Santiago, especialista em questões de gênero da ONG Plan International Brasil, atuante na capacitação e no empoderamento de crianças e adolescentes.

Na cultura machista, os homens crescem em um meio com muito mais liberdade do que as mulheres, geralmente reprimidas em suas escolhas, das roupas às atitudes. Nesse cenário, predomina a visão de que cabe à mulher não se expor ao perigo, abusando de sua sensualidade.

“O homem é visto como um ser indomável, incapaz de se controlar se uma mulher estiver de saia curta”, afirma a psicóloga Paula Licursi Prates, integrante da diretoria da ONG Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. Na opinião de Paula, as famílias contribuem para a reprodução desses estereótipos, como se fosse natural para os homens ter esse ímpeto e para as mulheres aceitarem essa condição.

Mesmo nos casos de violência, não é incomum que a pessoa agredida sinta vergonha do ocorrido e pense ter colaborado de alguma forma para o abuso. “As vítimas incorporam o julgamento moral, sentem-se responsáveis por aquilo”, declara a defensora pública Arlanza Rebello, coordenadora do Nudem (Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher). Para ela, a violência sexual contra a mulher é consequência da desigualdade. “Precisamos de uma educação menos sexista.”

Responsabilidade do agressor.

As mulheres estão muito suscetíveis a casos de abuso e assédio. Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), estima-se que, no mundo, uma em cada cinco mulheres seja vítima de estupro ou de tentativa do ato.

No Brasil, em uma pesquisa com 2.285 moças, com idade entre 14 e 24 anos, 77% das entrevistadas afirmaram terem sido assediadas sexualmente e 94% verbalmente.

Para Paula, além de apoiar as vítimas e responsabilizar os agressores, é preciso fazer um trabalho com os homens que cometem a violência. “Temos de olhar para o todo, senão focamos apenas na metade do problema”, diz.

O assédio e a violência são problemas que começam muito cedo na vida das mulheres. Na pesquisa “Por Ser Menina no Brasil: Crescendo entre Direitos e Violências”, de 2013, promovida pela Plan Brasil com 1.771 garotas, de 6 a 14 anos, de todas as regiões do País, uma em cada cinco disse conhecer outra menina que sofreu violência.

Combater o assédio não é simples, já que, na maioria dos casos, existe só a palavra da vítima. Além disso, segundo Arlanza, as instituições que deveriam defender as mulheres, muitas vezes, menosprezam a violência, por estarem impregnadas de valores machistas. O importante nos casos recorrentes, diz a defensora, é não se intimidar pelo agressor, denunciar, buscar aliados que possam testemunhar e juntar provas, como fotos e gravações, porém feitas pela vítima para ter valor jurídico.

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