Quarta-feira, 01 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 17 de janeiro de 2016
A cúpula do governo Dilma Rousseff já dá como certo que o BC (Banco Central) subirá os juros nesta semana, na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Três motivos são apontados: dois técnicos e um político, que teria peso maior neste momento. Para auxiliares presidenciais, o BC precisa mostrar que tem autonomia para ditar a política monetária.
Seria uma resposta do presidente da instituição financeira, Alexandre Tombini, ao PT e a setores do governo que pressionaram o BC a não elevar a taxa de juros neste ano. O BC quer recuperar credibilidade no mercado para tentar trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%, no final do próximo ano.
Do lado técnico, a justificativa viria, primeiro, da inflação de janeiro, que pode ficar acima do previsto. Coletas de preços indicam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve superar 1% – analistas vêm prevendo 0,86%.
Além disso, a taxa real de juros caiu nos últimos meses porque a Selic não mudou no período, enquanto a projeção de inflação subiu quase 1,5 ponto percentual e superou o teto de 6,5%. Apesar da expectativa de recessão em 2016, o BC tem afirmado que a queda da inflação é um passo necessário para a recuperação da economia, contestando a crítica petista de que a alta dos juros agrava a crise econômica.
0,25 ou 0,50 ponto percentual
A expectativa do mercado é de que o BC eleve a taxa básica, que está em 14,25% ao ano desde julho de 2015, em 0,5 ponto percentual na reunião de quarta-feira (20). Alguns economistas e, principalmente, assessores próximos da presidenta defendem que a taxa não suba não só por causa da recessão no Brasil, mas também pelo risco de agravamento do cenário internacional, com uma desaceleração mais forte da China e a queda do petróleo.
Dentro do BC, técnicos contestam economistas que passaram a defender a manutenção dos juros. Afirmam que o órgão não pode só observar a inflação enquanto a contribuição do lado fiscal para baixá-la ainda é incerta. Por causa do cenário instável, alguns analistas passaram a esperar alta de 0,25 ponto e que o BC indique no comunicado que o novo ciclo de alta pode ser mais longo se a inflação não cair. (Folhapress)
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