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Economia Custo dos alimentos: para reduzir preços, setor de carnes diz que ampliará oferta

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Empresários dizem que preço das carnes já caiu em média 15%. (Foto: Reprodução)

Exportadores e produtores de carnes se comprometeram com o governo em garantir maior oferta de produtos para equilibrar os preços no mercado interno. O custo da proteína é uma das principais preocupações do governo com a inflação de alimentos, em especial a carne vermelha. Em encontro com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, representantes do setor reforçaram a queda, em média, de 15% nos preços dos cortes bovinos, no atacado, de dezembro ao fim de fevereiro, e ressaltaram a tendência de arrefecimento das cotações, relataram líderes do setor.

Segundo pessoas a par do assunto, o setor afirmou ao ministro que se unirá em esforço para oferecer mais produtos no mercado doméstico. O compromisso foi apresentado por empresários, representantes de frigoríficos e lideranças do setor exportador ao ministro da Agricultura, na noite da última quinta-feira. A ideia é de que Fávaro levaria as propostas do setor e os dados de queda de preços das carnes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã da última sexta-feira.

Industriais da carne bovina destacaram ao ministro que os preços da proteína vermelha devem cair mais em duas semanas, acompanhando a baixa das cotações da arroba do boi gordo. Representantes do setor afirmaram que a queda dos preços no atacado (ou seja, cobrado da indústria aos supermercadistas) não está sendo repassada na íntegra ao varejo.

Números do setor

O setor da carne bovina apresentou ainda ao governo gráficos e números que mostram a queda dos preços da carne bovina no atacado no acumulado deste ano. Entre os dados, o setor citou a queda de 25% no preço da picanha de dezembro ao fim de fevereiro, de 24,73% no preço do filé mignon, recuo de 20% no preço da alcatra com maminha, de 18% no valor do contrafilé e de 14% de queda no preço do lagarto. Em cortes dianteiros, chamados de cortes de segunda, o setor identificou redução de 17% nos preços de dezembro do ano passado ao fim de fevereiro, o que inclui acém, paleta e peito.

Em relação a frango e suíno, as sugestões do setor produtivo vão na direção de destravar a produção, reduzir o desperdício e diminuir custos.

Uma das sugestões, por exemplo, diz respeito ao máximo aproveitamento possível – e dentro de permissões das autoridades sanitárias – da carcaça de animais que porventura apresentem algum problema sanitário. Assim, em vez de descartar o animal inteiro, seria possível separar apenas as partes afetadas – sempre dentro das regras e legislações sanitárias. Representantes destacaram ao ministro que os níveis de condenação de aves são os mais altos do mundo. Agora, o governo e o setor devem articular melhoramento em normativas sobre o tema.

Outro ponto destacado pela indústria foi a regulamentação da lei do autocontrole, abrindo a possibilidade de credenciamento de fiscais terceirizados para atuação em frigoríficos, o que permitiria a atividade em maior número de turnos e até mesmo aos fins de semana. Para representantes do setor, essas medidas podem contribuir para aumentar a produção e ampliar a oferta dos alimentos com consequente impacto nos preços no médio e longo prazos.

Desoneração

Segundo pessoas a par do tema, alguns representantes citaram a ideia de desoneração temporária de PIS/Cofins sobre determinados produtos considerados estratégicos no consumo da população de baixa renda, como cortes de carnes de frangos e suínos e itens processados, o que foi imediatamente descartado pelo governo em virtude do potencial impacto fiscal. Em relação ao aumento dos preços dos ovos, a indústria reforçou ao governo que se trata de uma alta temporária em virtude da sazonalidade na oferta e do aumento no consumo de ovos em período precedente à quaresma. Não foram apresentadas medidas específicas ao setor de ovos, conforme apurou a reportagem.

Além de Fávaro, outros representantes do governo estiveram presentes na reunião com representantes do setor de carnes, entre os quais o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, e o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello. (Estadão Conteúdo)

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