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Brasil Da agressividade aos juramentos, Bolsonaro modula os seus discursos. A atuação do filho Carlos preocupa os aliados

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Nos bastidores da equipe de Bolsonaro, circulam alguns nomes para o comando da Secretaria de Comunicação. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

“O juiz federal Sérgio Moro aceitou nosso convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública”, anunciou o presidente eleito Jair Bolsonaro na quinta-feira (1º), via Twitter. Há uma semana, logo após ser eleito, o capitão da reserva foi ao Facebook para uma transmissão ao vivo, em seu primeiro pronunciamento.

Do início da campanha eleitoral até o domingo da vitória, foram 1.267 publicações nas duas redes sociais, média de 17 por dia, além de 15 entradas ao vivo. No entorno do presidente eleito, aliados defendem a manutenção do estilo de comunicação direta no governo, especialmente nas mensagens via Twitter — as lives ainda dividem opiniões, pois há quem defenda que falar de improviso pode embutir riscos desnecessários.

Na primeira semana como presidente eleito, Bolsonaro também se dedicou a entrevistas para emissoras de televisão. O tom adotado, muitas vezes, é diferente daquele das redes sociais, meio pelo qual conversa majoritariamente com apoiadores. Na TV, em mais de uma oportunidade, pregou o respeito à democracia. No discurso lido para a imprensa, fez um “juramento a Deus” sobre a defesa da Constituição.

Na internet, houve oportunidades em que o discurso ganhou contornos mais agressivos: no dia do primeiro turno, questionou o resultado das urnas e levantou a suspeita de fraude, o que gerou reação imediata do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em outro momento, reagiu à associação que havia sido feita entre o assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê com uma discussão política a respeito de sua candidatura — “Imprensa lixo”, escreveu.

O contato direto com o eleitorado, sem intermediação, ganhou corpo ao longo da campanha. O que de início era uma forma de escapar das amarras do ínfimo tempo de propaganda na televisão — só nove segundos por bloco, contra os mais de cinco minutos de Geraldo Alckmin (PSDB) — virou uma estratégia que se intensificou na mesma proporção em que os resultados foram aparecendo. Os números são superlativos: 8 milhões de seguidores no Facebook; 5,4 milhões no Instagram; 1,9 milhão no Twitter e 2 milhões de inscritos no YouTube.

Cautela

O conteúdo dos posts publicados por Bolsonaro nas redes sociais ficava a cargo dele mesmo e de um dos filhos, o vereador Carlos Bolsonaro. Se, por um lado, é ele o herdeiro mais avesso ao contato com a mídia, por outro é quem tem mais familiaridade com o mundo digital, onde age com desenvoltura. Carlos pretende continuar comandando os perfis do pai nas redes sociais, o que já provoca preocupação de conselheiros do presidente eleito.

Apontado como o mais radical do clã, o vereador causou desconforto ao longo da campanha ao subir o tom em postagens com a assinatura do pai. “Bolsonaro não será mais um candidato. Será um presidente, e qualquer fala atribuída a ele pode gerar repercussão imediata dentro e fora do Brasil”, pondera um interlocutor do presidente eleito.

Nos bastidores da equipe de Bolsonaro, circulam alguns nomes para o comando da Secretaria de Comunicação. Quatro jornalistas que mantiveram bom relacionamento com a campanha, alguns deles conhecidos do grande público, estão cotados. Todos já foram sondados, mas nenhum deles teria demonstrado inclinação para aceitar o convite.

No campo das transmissões ao vivo, todas aconteceram no período posterior ao ataque a faca, em 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). As lives foram usadas para mobilizar apoiadores, já que Bolsonaro, por razões médicas, não pôde mais participar de atos na rua, e também para atenuar ruídos de comunicação, especialmente aqueles provocados pelo vice, general Hamilton Mourão, e pelo economista Paulo Guedes, futuro ministro da Economia.

Nos momentos de crise, por ordem do próprio capitão da reserva, os aliados adotaram a “lei do silêncio” — os exemplos mais claros aconteceram quando Mourão criticou o 13º salário e Guedes citou a possibilidade de um novo imposto nos moldes da CPMF. O “toque de recolher” também foi adotado na última semana de campanha, conforme as pesquisas de intenção de voto iam mostrando a queda da diferença para Haddad. Nesses casos, só um dos aliados continuou autorizado a ter contato com a imprensa: Gustavo Bebianno, então presidente do PSL.

Nas redes sociais, o dia mais ativo foi 21 de outubro, uma semana antes do segundo turno: 54 tuítes e sete posts no Facebook foram publicados.

“Esse é o novo normal. O Bolsonaro vai levar esse modelo para a gestão e buscar não ficar encurralado por nenhum veículo de mídia e nenhuma pauta específica”, avalia o diretor da FGV/DAPP, Marco Aurelio Ruediger.

Foi justamente do espaço do contraditório que Bolsonaro tentou escapar, especialmente no segundo turno, quando não participou de debates e sabatinas organizados pela imprensa. Na semana anterior ao segundo turno, quando havia a expectativa de uma entrevista coletiva após a divulgação dos resultados, um aliado próximo logo refutou a hipótese: “Para quê? Para ele responder às mesmas perguntas de sempre?”.

 

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