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Brasil Da crise no seu partido à reforma da Previdência: os desafios de Bolsonaro na volta ao trabalho

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Na Câmara, líderes do Centrão voltaram a discutir o fim da reeleição para o presidente da República e governadores. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Após desembarcar em Brasília na última quarta-feira (13), após receber alta do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro tem uma série de desafios na volta ao trabalho. Ao longo dos 17 dias em que ficou no hospital, houve disputas entre alas diferentes do governo e dentro do partido do presidente, o PSL. Além disso, já estão em curso articulações para garantir vitória na votação das medidas mais importantes para o Planalto até o momento.

Bolsonaro reassumiu oficialmente o cargo no fim de janeiro, ainda internado em São Paulo. Apesar de despachar do seu quarto no Hospital Albert Einstein, a rotina de reuniões e telefonemas de trabalho com ministros permaneceu reduzida durante a recuperação.

Segundo o porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, Bolsonaro “ainda passa por um período de descanso”, mas a duração desse período dependerá de uma autoavaliação do presidente.
As atividades no Legislativo e no Executivo, no entanto, devem demandar decisões e mediação do presidente.

Coesão no PSL

No mesmo dia em que o presidente teve alta hospitalar, seu filho Carlos Bolsonaro foi às redes sociais para atacar o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Carlos afirma que Bebianno “mentiu” ao dizer que havia conversado três vezes com o presidente naquele mesmo dia.

No caso em questão, Bebianno afirmava, em entrevista ao jornal O Globo, que não havia instabilidade no governo após a repercussão de uma publicação da Folha de S.Paulo, que informa que o PSL, partido do presidente, teria financiado uma candidatura laranja em Pernambuco nas eleições de outubro de 2018. Bebianno era o presidente da sigla na época.

O presidente confirmou a versão do filho, ao afirmar que o ministro mentiu em entrevista à TV Record.

O caso é mais um dos embates internos do PSL, que criou dificuldades durante a primeira votação importante do governo no plenário da Câmara. O líder do governo, deputado major Vitor Hugo, já teve sua autoridade abertamente questionada por correligionários. A divisão no partido do presidente pode trazer problemas ao governo nas votações das PECs (propostas de emenda à Constituição), como é o caso da Previdência, que dependem da aprovação de três quintos dos deputados.

Reforma da Previdência

Uma das primeiras tarefas de Bolsonaro após o retorno será decidir sobre a reforma da Previdência, que já tem uma proposta preliminar redigida pelo Ministério da Economia. O ministro Paulo Guedes se reuniu com o presidente na tarde de quinta-feira (14), no Palácio da Alvorada, e o tema foi tratado na conversa entre os dois.

Ficou decidido que a reforma da Previdência do governo vai prever idades mínimas para aposentadorias diferentes para os dois sexos: 65 anos para homens e 62 anos para mulheres.

Mas esse requisito não será aplicado imediatamente. Há um período de transição para que a idade mínima alcance esse patamar.

No caso dos homens, o período será em 10 anos se a proposta for aprovada pelo Congresso. Para mulheres, a transição é de 12 anos.

Entre outros pontos, o documento estipula que brasileiros que ganham acima de um salário mínimo precisarão contribuir por 40 anos para conseguir se aposentar com 100% do salário de contribuição (cujo teto hoje é de R$ 5,839 mil).

O texto final deve ser enviado ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (20). A proposta deve se tornar o principal assunto nas tratativas do Planalto com a Câmara.

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