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Colunistas Da imponente biblioteca ao abismo digital

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Escrever regularmente para o Jornal O Sul tem sido uma jornada intensa e transformadora. Alguns meses antes da COP30, recebi um convite do presidente do Grupo Pampa, Alexandre Gadret, para escrever sobre a preparação para o evento. Foi esse convite que deu origem a esta coluna. Mais tarde, já durante a COP30 em Belém, a presidência da conferência abriu espaço para um painel na área cultural dedicado a José Lutzenberger, brasileiro, natural de Porto Alegre e de renome internacional, reconhecendo nele uma figura que construiu a consciência ambiental e projetou o Brasil no cenário mundial. Foi nesse contexto que percebi a necessidade de contribuir de forma contínua com reflexões, e hoje já são mais de uma centena de artigos publicados.

Cada texto é um esforço de entrelaçar temas diversos, preservando a ética e os princípios que sempre nortearam minha caminhada, e oferecendo ao leitor não respostas definitivas, mas provocações que inspirem reflexão. O desafio de escrever não está apenas em encontrar assuntos, mas em dar a eles coerência e profundidade. A internet e a inteligência artificial encurtam caminhos, facilitam pesquisas, mas também exigem vigilância para que não se tornem muletas intelectuais.

Lembro-me de quando jovem, em Garibaldi, pegava o ônibus até São Leopoldo para mergulhar na imponente biblioteca da UNISINOS. Aquela construção grandiosa, com seus vários andares e um saguão panorâmico que permitia enxergar toda a magnitude da edificação, era para mim um templo do conhecimento. Eu me sentia como Nicolas Cage em Cidade dos Anjos, caminhando entre livros e silêncios que guardavam séculos de sabedoria. Hoje, tudo é mais simples e cômodo, mas não deixo de me perguntar como estão os acervos científicos, literários, históricos e culturais dessas bibliotecas físicas, que ainda carregam uma aura insubstituível.

Em um dos meus artigos, intitulado Este tal de algoritmo, mencionei o conceito de tecexistencialismo, cunhado pelo futurista Roger Spitz, presidente do Disruptive Futures Institute. Spitz, consultor de riscos em cenários imprevisíveis para empresas e governos, desenvolveu essa ideia para refletir sobre como nossa capacidade humana pode ser aumentada ou diminuída conforme a tecnologia ocupa nossa mente e nos substitui. O que antes parecia ficção científica – humanoides com aparência humana – hoje já é realidade, com fábricas produzindo robôs em série e a preços cada vez mais acessíveis. Empresas como Tesla, Figure AI e Boston Dynamics estão na vanguarda desse movimento, trazendo para o cotidiano aquilo que antes só existia nas telas do cinema.

Mas o verdadeiro ponto de inflexão que vivemos não se dá apenas pelas guerras, embora elas continuem a nos assombrar. Ele se manifesta sobretudo pela velocidade das tecnologias e pela avalanche de informações instantâneas que moldam nossas percepções. A mesma rede que nos conecta e nos informa também nos desinforma, criando um terreno fértil para manipulações, fake news e narrativas enviesadas. Essa desinformação, somada aos interesses econômicos de nações e corporações, torna o cenário ainda mais complexo e perigoso. Estamos diante de uma humanidade que precisa aprender a lidar com a abundância de dados e com a escassez de discernimento.

É nesse contexto que minha atuação profissional como desenvolvedor de negócios sustentáveis se conecta à minha militância como ativista pela transição energética e voluntário da Fundação Gaia. Acredito que manter vivo o legado de José Lutzenberger é uma missão urgente. Lutzenberger seria hoje uma voz íntegra, capaz de iluminar caminhos em um mundo fragmentado, e é essa integridade que busco honrar em cada texto, em cada reflexão.

Finalizo agradecendo a quem acompanha este percurso. Cada artigo é um convite à reflexão sobre o futuro que estamos construindo. Vivemos tempos incertos, mas também férteis. Se a tecnologia pode nos substituir, também pode nos libertar para sermos mais humanos. Cabe a nós escolher o caminho – e que seja um caminho de ética, sustentabilidade e esperança.

(Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética – contato: rena.zimm@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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