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| Das universidades para o Parlamento, novos políticos da oposição despontam em manifestações na Venezuela

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Os deputados da oposição Carlos Paparoni, Jose Manuel Olivares e Juan Andres Mejia. (Foto: Reprodução)

Era uma entre tantas outras marchas convocadas pela oposição venezuelana, na avenida Francisco Fajardo, em Caracas. Mas não foi qualquer marcha para o deputado Miguel Pizarro, do partido PJ (Primeiro Justiça), eleito pela primeira vez para ocupar uma cadeira da Assembleia Nacional de seu país aos 21 anos. Hoje, aos 29, é um dos líderes jovens da MUD (Mesa de Unidade Democrática). Naquele fatídico 7 de junho, Pizarro presenciou a morte do jovem Neomar Lander, de 17 anos, atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo no peito. Quando teve de comunicar o falecimento de mais um garoto que deixou a vida nas ruas da Venezuela, nas manifestações contra o governo do presidente Nicolás Maduro, o jovem deputado desabou a chorar. A cena emocionou os venezuelanos e mostrou que a juventude opositora é hoje uma peça central na violenta e cada vez mais profunda crise que assola o país.

Pizarro, como muitos dos jovens deputados e militantes da oposição, iniciou-se na política em 2007, quando os estudantes desafiaram o então presidente Hugo Chávez e provocaram sua única derrota nas urnas. O ex-presidente não conseguiu vencer o referendo sobre um projeto de reforma constitucional e seu revés marcou os primeiros passos de dirigentes como Pizarro em diferentes partidos da MUD. Todos integravam centros de estudantes de universidades como a Simón Bolívar e a UVC (Universidade Central da Venezuela). O sucesso de suas marchas contra a reforma de Chávez os levou à política fora do mundo acadêmico e hoje muitos são deputados e ocupam posições de peso dentro de seus partidos, principalmente o PJ e o VP (Vontade Popular).

Política no DNA

No caso de Pizarro, a política vem do berço. Seu avô integrou o Partido Socialista chileno e exilou-se na Venezuela fugindo da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Seu pai foi guerrilheiro e esteve preso na década de 1980. A luta de rua está no seu DNA.

“Nós  que estamos hoje nas ruas começamos a trabalhar juntos em 2007. Integramos o movimento estudantil e hoje somos parte das direções nacionais de nossos partidos. Eu, pessoalmente, faço política desde os 13 anos”, contou o deputado.

Formado em Comunicação Social, Pizarro fez cursos no exterior, como muitos dos novos líderes da MUD, e hoje sente que os jovens estão tão envolvidos na disputa com o chavismo porque “este episódio da História é decisivo”.

“Os mais veteranos conheceram outro país, nós não. Crescemos com o chavismo, nos despedindo de amigos nos aeroportos e cemitérios. Sonhamos com um país diferente, mas nunca o vimos”, lamentou o deputado, que representa a região de Petare, onde está uma das maiores favelas da América Latina.

Ele, como muitos de seus colegas da juventude da MUD que todos os dias estão nas ruas ao lado de manifestantes anônimos, sente que “a ditadura destruiu nossas oportunidades”. A rotina de Pizarro e seus companheiros da oposição mistura discussões na AN, reuniões com vizinhos de diferentes municípios de Caracas, organização de protestos, debates internos dos partidos e visitas a casas de pais que perderam filhos pela repressão exercida pelas forças de segurança contra manifestantes.

“Sem dinheiro para xerox”

Como se tudo isso não bastasse, Pizarro e outros parlamentares venezuelanos devem encarar esta cruzada sem recursos. Há um ano, os deputados venezuelanos não recebem salários e vivem graças à contribuição de amigos e familiares.

“Na Assembleia Nacional não temos dinheiro sequer para xerox. Minha sorte é que gasto pouco e tenho uma família que me ajuda”, contou.

Em agosto, Juan Andrés Mejia, deputado do VP, de 32 anos, terá seu primeiro filho. Como Pizarro, ele foi líder estudantil em 2007 e hoje é coordenador político de seu partido, órfão desde que o fundador, Leopoldo López, foi preso. A proximidade da chegada do filho lhe dá mais esperança.

“Não lutamos apenas por um interesse político, lutamos pelo futuro. Estamos à frente das marchas porque a rua sempre foi para nós um terreno natural, onde sabemos nos mover e nos defender”,  assegurou Mejia, que esteve preso por 48 horas em 2007. — Nossa principal função é orientar os mais jovens, os garotos de 17 e 18 anos, e evitar que eles caiam nas provocações do governo.

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