Sábado, 10 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de outubro de 2026
O primeiro turno das eleições terminou com 33 milhões de brasileiros sem votar. A abstenção chegou a 21,08%, o maior percentual para uma primeira etapa de eleições presidenciais desde 1998, quando 21,49% dos eleitores não compareceram às urnas.
Após uma redução nos anos seguintes, o índice voltou a superar 20% em 2018 e tem crescido nos últimos pleitos.
A ausência no primeiro turno não impede a participação no segundo, já que a Justiça Eleitoral considera cada etapa uma eleição independente. No Brasil, o voto é obrigatório para cidadãos alfabetizados entre 18 e 70 anos.
Entre os fatores que ajudam a explicar a abstenção está o desânimo com a política. Segundo Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), a polarização e a rejeição aos principais candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), contribuem para um ambiente de desalento.
“A percepção de que o voto já não é capaz de produzir mudanças concretas favorece o afastamento do eleitor das urnas. A abstenção elevada é um sinal desse distanciamento entre a política e o eleitor”, afirma Medeiros.
Motivos
Entre os eleitores ouvidos pelo portal g1, as razões para a ausência variaram de dificuldades burocráticas e falta de acessibilidade à insatisfação com os candidatos.
O estudante de economia Roberto Gepp não transferiu o título após se mudar de Brasília para São Paulo. Para ele, o procedimento burocrático dificulta a participação eleitoral.
Henrique Eduardo Bahouth, de 73 anos, desistiu de votar ao encontrar a zona eleitoral cheia e desorganizada. Ele também relatou não estar se sentindo bem naquele dia.
Já Bianca Dantas não conseguiu chegar à seção eleitoral após passar por uma cirurgia no joelho duas semanas antes da votação. O local tinha dois lances de escada, e ela não teve tempo de solicitar uma seção acessível.
Aos 73 anos, Maria Luíza Teixeira, que não é obrigada a votar, decidiu não comparecer por discordar dos dois candidatos à Presidência. Ela também não pretende participar do segundo turno.
A servidora pública Nara Oliveira afirmou que o desânimo com a política e os gastos com deslocamento não compensavam a ida às urnas. Ela citou o caso do Banco Master como exemplo de sua percepção de que os políticos priorizam interesses próprios.
Em sentido contrário, a estudante Maria Júlia Costa, que estava em outra cidade durante o primeiro turno por causa de um compromisso familiar, afirmou que pretende votar no segundo. Ela disse acreditar na política, no poder do voto e na cidadania.
Desafio
A abstenção de 21,08% acompanha a tendência de crescimento registrada nas últimas eleições. Agora, ampliar o comparecimento é um dos desafios das campanhas presidenciais, especialmente a de Lula, que terminou o primeiro turno em desvantagem.
Para Medeiros, a disputa pode enfrentar dificuldades adicionais porque 21 governos estaduais já foram definidos, reduzindo a mobilização política em parte do país.
“O segundo turno acende um alerta ainda maior para a abstenção. Com 21 governos estaduais definidos, a eleição presidencial será a única disputa em grande parte do país”, explica o cientista político.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Sudeste registrou 15 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 22,7% do eleitorado da região. No Centro-Oeste, foram 2,6 milhões, ou 21,7%. No Nordeste, onde Lula obteve a maioria dos votos, a abstenção foi de 18,4%, correspondente a 8 milhões de pessoas.
Medeiros ressalta que o aumento da participação não significa necessariamente mais votos para um candidato, pois o resultado depende das preferências políticas de quem deixou de votar.
Ele também aponta que, apesar da obrigatoriedade do voto, a multa pelo não comparecimento é baixa e pode não compensar os custos e as dificuldades de deslocamento, sobretudo para eleitores de menor renda. (Com informações do portal g1)
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