Quarta-feira, 25 de março de 2026

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Política De Lulinha a Master, a CPMI do INSS entra na reta final sob atritos

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Prazo final da comissão é estipulado para 28 de março. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Em contagem regressiva para seu término, a CPMI do INSS entra na semana final sem sinais de que será estendida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). A comissão, cujo prazo vai até sábado, dia 28, gerou desgastes à cúpula dos três Poderes, devido a apurações que miraram desde um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até as relações de Daniel Vorcaro, do Banco Master, com lideranças do Legislativo e do Judiciário.

Além de gerar atritos com Alcolumbre, a inclusão do Master no escopo da CPMI também piorou o clima com o Supremo Tribunal Federal (STF), que teve dois de seus ministros, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, mencionados no caso.

Dentro do colegiado, embora alguns integrantes ainda apostem na prorrogação dos trabalhos, vem crescendo o grupo que vê um cenário de esvaziamento. Além de Alcolumbre, a decisão sobre o desfecho passa pelo ministro do STF André Mendonça, relator de um mandado de segurança apresentado pela CPMI para estendê-la por 120 dias.

O tensionamento entre a CPMI e o Supremo ganhou novos capítulos na última semana, após uma decisão do ministro Flávio Dino atingir o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão. Dino cobrou explicações do senador pelo envio de R$ 3,6 milhões em emendas para uma fundação da Igreja da Lagoinha, que está ligada às investigações do caso Master.

Em reação vista por aliados como tentativa de “dobrar a aposta”, Viana declarou que a quebra de sigilo de Vorcaro identificou indícios de contato com um número vinculado ao STF. O senador enviou ofício à Corte pedindo que informasse os usuários do número identificado.

Acúmulo de atritos

O desgaste não se restringe ao judiciário. Alcolumbre, que manteve engavetado por meses o pedido da CPMI de prorrogação dos trabalhos, viu pessoas próximas serem citadas no início das investigações. Uma delas foi o advogado Paulo Boudens, seu ex-chefe de gabinete e apontado pela Polícia Federal como beneficiário de repasses ligados à fraude.

A CPMI avançou ainda sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A base do governo tentou barrar uma quebra de sigilo de Lulinha, que chegou a ser aprovada pela CPMI em votação tumultuada, mas foi anulada posteriormente pelo STF sob alegação de erros de procedimento.

Outro foco de ruídos para a CPMI foi o vazamento de documentos, requisitados pela comissão, que eram considerados sensíveis – em especial, as conversas de Vorcaro com a ex-namorada, Martha Graeff. Nesse caso, ocorreram atritos até com a Polícia Federal, que declarou que a comissão teria acessado dados de Vorcaro armazenados em nuvem mesmo depois de uma decisão do STF ter restringido esse acesso.

Os desgastes no caminho da CPMI não envolveram somente atores externos, mas também incluíram conflitos internos. Integrantes chegaram a reconhecer, reservadamente, que a comissão perdeu foco ao longo do tempo, ao abrir múltiplas frentes de investigação simultâneas. Segundo um parlamentar, a CPMI “se perdeu no caminho”; outro interlocutor foi mais direto ao afirmar que a condução dos trabalhos, sob responsabilidade da presidência da comissão, “deixou a desejar”. (Com informações do jornal O Globo)

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