Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de janeiro de 2023
O rastro de destruição deixado por terroristas nas instalações do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, provocou danos irreparáveis em obras de arte e patrimônios históricos de altíssimo valor. O levantamento com as perdas é provisório e está sendo atualizado, aos poucos, pelos peritos, já que muitos objetos seguem perdidos em meio aos destroços.
Há danos irreparáveis em itens como um relógio doado a Dom João VI pela corte real de Luís XIV, uma réplica da edição original da Constituição e uma tela com assinatura do artista Di Cavalcanti. A seguir, veja uma lista preliminar divulgada pelo governo federal, nesta segunda-feira (9), com os artigos danificados.
Um relógio fabricado pelo francês Balthazar Martinot, com design de André-Charles Boulle, foi destruído pelos terroristas. A peça foi fabricada no fim do século XVIII e foi dada de presente para a família real pela corte de Luís XIV. O relógio foi trazido para o Brasil por D. João VI, em 1808. O objeto ficava no terceiro andar, onde está localizado o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em todo o mundo, havia apenas duas peças. A outra está exposta no Palácio de Versalhes, na França.
A escultura “A bailarina”, obra em bronze de Victor Brecheret, um dos expoentes do modernismo, foi retirada do local onde ficava exposta na Câmara dos Deputados. A peça está desaparecida.
No Planalto, a tela “Mulatas”, de Di Cavalcanti, foi furada pelos invasores em seis pontos. Especialistas garantem que a restauração de uma tela como esta, datada de 1962, pode levar até 90 dias. O valor da obra é estimado em R$ 8 milhões.
Em 1977, a artista Marianne Peretti usou vidro temperado e jatos de areia para produzir “Araguaia”, obra instalada no hall do Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília. A peça decorativa foi destruída pelos terroristas.
A mesa de trabalho do ex-presidente Juscelino Kubitscheck “foi usada como barricada pelos terroristas”, segundo informações do Palácio do Planalto. O móvel histórico, projetado pelos arquitetos Oscar e Anna Maria Niemeyer, era exposto com isolamento no governo Dilma Rousseff, no salão nobre do segundo andar do edifício. Em 2017, sob críticas de especialistas em conservação, o governo Michel Temer cedeu a mesa para o ex-ministro Moreira Franco.
No STF, a avaliação é que o dano ao patrimônio histórico é irreparável e que o prédio principal está “completamente destruído”. O brasão da República foi arrancado. Os terroristas também retiraram as cadeiras que os 11 ministros usam durante os julgamentos.
No prédio do STF, os danos também incluem o chamado “Hall dos Bustos”, onde havia bustos de figuras importantes da República, como o de Rui Barbosa, responsável pela criação da Corte no modelo atual, em 1890, e de Joaquim Nabuco, abolicionista.
Entre itens de valor histórico danificados pelos vândalos também no STF, está um tapete que, segundo informações do Supremo, pertenceu à Princesa Isabel, filha do imperador D. Pedro II e responsável por assinar a Lei Áurea, que acabou com a escravidão no país.
Um exemplar raro da Constituição foi roubado por extremistas radicais do prédio do STF. O livro é uma réplica da edição original da Carta Magna. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram terroristas que invadiram o Supremo com livro nas mãos.
Uma escultura de Frans Krajcberg, avaliada em R$ 300 mil, também foi atingida pelos terroristas, em Brasília. A obra batizada como “Galhos e sombras”, feita em madeira, ficava pendurada na parede.
O quadro “Bandeira do Brasil”, de Jorge Eduardo, foi arrancado da parede por terroristas e foi encontrando boiando na água que inundou o térreo do Palácio do Planalto. As informações são do jornal O Globo.
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