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Bruno Laux Debate da Famurs coloca candidatos ao governo gaúcho frente a frente em Restinga Sêca

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Encontro mediado por Paulo Sérgio Pinto, vice-presidente da Rede Pampa, foi marcado por acenos aos prefeitos e embates sobre reconstrução do Estado, saúde e educação.

Foto: Divulgação Famurs

O município de Restinga Sêca, na Região Central do RS, foi palco nesta sexta-feira (7) do debate entre os candidatos ao governo do Estado promovido pela Federação dos Municípios do Estado do Rio Grande do Sul (Famurs), com transmissão ao vivo pela TV Pampa. Mediado pelo vice-presidente da Rede Pampa, Paulo Sérgio Pinto, o encontro colocou frente a frente o atual vice-governador, Gabriel Souza (MDB), e o ex-prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata (PSDB).

A ausência de Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) – convidados reiteradamente para o evento – deixou duas cadeiras vagas no palco e virou alvo de críticas tanto de Maranata quanto de Souza. Embora tenham concentrado os embates entre si, os dois candidatos fizeram questão de destacar a falta dos adversários. Diante de uma plateia integrada principalmente por prefeitos e lideranças das cidades gaúchas, a pauta municipalista deu o tom do encontro. 

A dinâmica do debate teve início com as apresentações pessoais dos presentes, seguiu para um bloco de perguntas formuladas pela comissão eleitoral da Famurs, avançou para uma rodada de questionamentos diretos entre Gabriel e Maranata e encerrou com as considerações finais de cada um.

Saúde e o Pacto Federativo 

Durante a sessão de perguntas da comissão eleitoral da Famurs, o primeiro grande tema foi o financiamento da saúde. Maranata adotou um discurso municipalista, afirmando que as prefeituras estão pagando a conta da média e alta complexidade. Segundo o tucano, a média de gastos dos municípios gaúchos com saúde chega a 22% do orçamento (o mínimo legal é 15%), citando cidades que chegam a comprometer 35%. Ele criticou a regulação de leitos e acusou os governos estadual e federal de repassar tarefas sem o devido financiamento.

Na sequência, ao responder um questionamento sobre o pacto federativo e as finanças municipais, Gabriel Souza defendeu a gestão atual, afirmando que o governo estadual colocou os repasses aos municípios e hospitais em dia. Ainda que reconhecendo o esforço dos prefeitos para manter o setor da Saúde, o emedebista responsabilizou o governo federal pela defasagem da tabela SUS, que afirma remunerar consultas e procedimentos com valores irrisórios, além de destacar o programa “SUS Gaúcho”. 

Clima e Reconstrução do RS 

Um dos momentos de maior tensão ocorreu a partir de uma pergunta sobre gestão de riscos climáticos. Maranata, ex-presidente da Granpal (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre), afirmou ter participado de reuniões com o governo federal e estadual, criticando duramente a lentidão das obras de contenção. Ele destacou que o Estado possui bilhões em caixa repassados pela União, mas falha na execução. “Quase 8 bilhões no caixa e nós não temos nenhuma obra entregue”, provocou Maranata, exigindo agilidade na atualização de cotas e projetos de bacias hidrográficas.

Souza rebateu citando obras em andamento, como na RS-348, em Agudo, a instalação de um novo batalhão de aviação da Brigada Militar em Santa Maria e investimentos de R$ 50 milhões no dique do bairro Sarandi, em Porto Alegre. O vice-governador destacou a necessidade das Prefeituras viabilizarem possibilidades para o Estado repassar recursos e explicou que obras complexas de engenharia levam anos para serem projetadas e executadas com segurança – citando exemplos internacionais como Nova Orleans e Holanda.

Educação gaúcha

Ao falar sobre a área da educação, Gabriel Souza comemorou os recentes resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Ele destacou que o Rio Grande do Sul saltou da 14ª para a 5ª posição nacional no índice e alcançou o 2º lugar em aprendizagem no Ensino Médio. Souza também ressaltou a entrega inédita de uniformes escolares, dentre outros investimentos da atual gestão no setor.

Maranata, por sua vez, cobrou políticas de combate à evasão escolar e defendeu o modelo de escola aberta aos finais de semana e férias, argumentando que muitas crianças dependem da merenda para se alimentar. O candidato do PSDB chegou a afirmar que alunos da Escola Paula Soares, em Porto Alegre, estariam recebendo “pão com mu-mu” como merenda desde maio. Souza desmentiu a informação de forma categórica, afirmando que o Estado investe R$ 180 milhões em alimentação “quente” e de qualidade, com produtos da agricultura familiar.

Idosos, apostas eletrônicas e composição do governo 

Durante o bloco de perguntas entre os candidatos, Gabriel Souza questionou Maranata sobre políticas para a população idosa, lembrando que o RS é o estado com maior proporção de idosos do Brasil. Maranata defendeu tratar o envelhecimento como oportunidade econômica, propondo um “cluster” de saúde capaz de atrair investimentos e reter talentos. Souza rebateu citando os programas “Rede Bem Cuidada” e “Saúde 60+”, já em funcionamento, e prometeu ampliar centros-dia e atendimento geriátrico especializado.

Em outro momento, Maranata questionou Souza sobre um projeto do Executivo de recriação da loteria estadual, comparando a medida aos danos causados pelas “bets” (casas de apostas esportivas) no endividamento das famílias. O candidato do MDB esclareceu ser frontalmente contra as “bets”, mas defendeu a loteria estadual como uma fonte legalizada e tradicional de arrecadação para financiar a saúde e a segurança pública.

Outro ponto de embate ocorreu quando Maranata criticou a presença de profissionais de fora do Rio Grande do Sul no secretariado do atual governo, defendendo a valorização dos talentos locais e das universidades gaúchas. Gabriel Souza rebateu a fala do adversário, afirmando que governará com os melhores quadros técnicos disponíveis no Brasil, preferencialmente gaúchos, mas de portas abertas para talentos de outros estados.

Nas considerações finais, Marcelo Maranata relembrou sua trajetória como gestor municipal e dedicou parte do discurso ao endividamento das famílias gaúchas, além de defender a diversificação da economia estadual como caminho para o Rio Grande do Sul voltar a crescer. Gabriel Souza, por sua vez, defendeu a necessidade de continuidade da atual gestão, listando quedas nos índices de criminalidade e pedindo que os gaúchos evitem “aventuras” e retrocessos no comando do Palácio Piratini.

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