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Mundo Decisão do Brasil de expulsar espião russo abre novo atrito com os Estados Unidos

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Os Estados Unidos alegam que Sergey Cherkasov tem ligações com uma rede de espionagem russa e que buscava entrar em território americano. (Foto: Reprodução)

Os Estados Unidos afirmam estar “profundamente preocupados” com a decisão do governo brasileiro de expulsar o suposto espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov — preso em Brasília desde 2022 — do País. Os americanos têm interesse na prisão de Sergey e alegam que ele tentou se infiltrar em entidades governamentais dos EUA para obter informações sigilosas e repassá-las às autoridades russas.

A determinação pela expulsão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última segunda-feira, 6, pelo Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A medida prevê que Sergey deixe o Brasil depois de cumprir sua pena e fique proibido de retornar ao País pelos próximos 30 anos.

“Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a decisão do Brasil de permitir que um indivíduo com conhecidos vínculos com a inteligência russa deixe o país”, afirmou o Departamento de Estado americano, em comunicado enviado à reportagem.

“Essa decisão enfraquece nosso compromisso compartilhado de combater a interferência estrangeira e proteger a integridade de nossas instituições democráticas. Instamos nossos parceiros brasileiros a considerar o precedente que essa decisão estabelece e a trabalhar conosco para responsabilizar aqueles que ameaçam nossa segurança coletiva”, acrescentou o departamento do governo americano.

Os Estados Unidos alegam que Sergey Cherkasov tem ligações com uma rede de espionagem russa e que buscava entrar em território americano para conseguir informações sigilosas para as autoridades russas. Sergey nega as acusações.

Segundo as investigações da Polícia Federal, Sergey se passou por cidadão brasileiro por cerca de 12 anos. Ele chegou ao País em 2010 e assumiu a identidade fictícia de Victor Muller Ferreira. O objetivo, conforme apurado no inquérito, era conseguir cidadania portuguesa e tornar-se um cidadão europeu.

Enquanto esteve no Brasil, Sergey conseguiu usar a identidade falsa para estudar na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, de onde tentou conseguir estágios em agências governamentais e organismos internacionais. O governo americano alega que ele aproveitou esse período para tentar se infiltrar em instituições e obter informações sigilosas.

O russo foi capturado há cerca de quatro anos, depois de tentar entrar na Holanda com um passaporte brasileiro e outros documentos falsos, em março de 2022. Ele havia sido aprovado para fazer um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, mas teve a fraude descoberta por autoridades holandesas e americanas.

A Polícia Federal não conseguiu provar que Sergey seja, de fato, um espião russo. Contudo, os investigadores descobriram que ele tinha um esconderijo em Cotia, na Grande São Paulo, para deixar equipamentos e mensagens. O objetivo era que o local supostamente servisse como ponto de apoio ao esquema de espionagem, permitindo que informações e dados fossem recuperados por outros integrantes da organização.

O local foi descoberto a partir de dados encontrados no celular que ele usava no momento da prisão. A PF encontrou dispositivos no esconderijo e os repassou ao FBI, o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos, que pediu a extradição de Sergey para os EUA.

Sergey, contudo, solicitou à Justiça brasileira que fosse extraditado para a Rússia. O governo russo alegava que o espião fazia parte de uma rede internacional de tráfico de drogas e pedia seu retorno para que fosse julgado no país de origem.

Na época, o Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição, mas a condicionou à conclusão de um inquérito da Polícia Federal em São Paulo. Em dezembro de 2024, contudo, o ministro Edson Fachin negou a extradição e justificou, na ocasião, que Sergey ainda tinha “pendências penais” no Brasil.

Sergey construiu de forma minuciosa o personagem Victor Muller Ferreira. Um documento de quatro páginas, localizado nas investigações do inquérito da Polícia Federal, mostrava o roteiro que o russo deveria seguir para tornar crível a história fictícia criada para sustentar o disfarce.

Entre as mentiras estavam a perda da mãe durante o parto e uma suposta descendência alemã, que justificariam o sotaque, embora dissesse ser natural de Niterói, no Rio de Janeiro. Alegava ter sido cuidado por uma amiga da mãe e que a vida o levou a morar em várias cidades, incluindo Brasília.

O registro de sua entrada no País é de 2010. Na história criada pelo russo, ele teria ido para a Europa por alguns anos e voltado ao Brasil naquele ano para resolver uma situação com o pai, que morava na capital federal. Com informações do portal Estadão.

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