Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de novembro de 2016
A defensora pública Patrícia Kettermann relatou no Facebook como ajudou uma mulher em trabalho de parto quase em frente ao prédio da Defensoria, em Porto Alegre. O fato ocorreu nessa quarta-feira (23), por volta das 7h. A mulher estava com o companheiro. Segundo Patrícia, os dois em situação de rua, não haviam recebido atendimento médico e iam na Defensoria Pública buscar ajuda. “Um dos momentos mais incrivelmente emocionantes da minha vida”, escreveu em sua rede social, recebendo cerca de duas mil curtidas até a tarde de hoje (24).
Veja o relato na íntegra:
“Lá pelas 7 h, chego na Defensoria e vejo uma moça na frente, deitada no chão. Deixo minha bolsa na portaria e vou conversar com ela e seu companheiro.
Ela está com muita dor e ele reclama que ‘foram tratados feito bichos’ nos dois hospitais procurados na madrugada. Eles acham que ela tem uma forte infecção ginecológica e têm certeza de que só a Defensoria pode ‘ajudar’.
Chamo o SAMU e volto para conversar. Identifico várias violações aos seus direitos (incluindo a apropriação do benefício assistencial que ela recebe, por sua própria irmã).
Os dois têm documentos e, embora estejam em situação de rua, falam sobre um amigo assistente social a quem posso procurar para dar andamento no que for necessário à garantia dos seus direitos.
A dor piora. Ela fica inquieta. Levanta, caminha. Vai até a esquina. Vou atrás brincando que ela não quer mais conversa comigo (tentando fazê-la esperar pela ambulância).
Seu parceiro se aproxima e ela sussurra algo em seu ouvido. Ele me diz: ‘É a infecção, está saindo, tem uma bola!’. Tento chegar mais perto para ajudar e ela se afasta. ‘Ela está com vergonha.’
Me afasto dizendo que vou ficar uns passos além para que eles possam ficar sozinhos. Ela se esconde atrás do contêiner de resíduos orgânicos. Voltando para a Defensoria (que fica a uns 20 passos), vejo que ele tira a blusa e se abaixa rápido. Logo começa a gritar e me chamar dizendo: “Nasceu, nasceu”! Nasceu??????
Sim, nasceu. Volto ao contêiner e lá está ele, envolto serenamente nas roupas do pai. O cordão umbilical já está rompido (como???).
Corro para chamar a SAMU e a médica orienta a realizar um procedimento no cordão umbilical. Os médicos chegam, examinam o bebê, veem que a mãe também está bem, tomam algumas providências e, atenciosamente, levam a família ao hospital. Um dos momentos mais incrivelmente emocionantes da minha vida.”