Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de janeiro de 2016
A situação era de desespero. Marcelo Odebrecht já alimentara a esperança de passar o Natal em casa, mas seu pedido de liberdade foi negado pela Justiça. O executivo da quarta maior empresa brasileira acreditava que, finalmente, seria libertado pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, no começo de janeiro, mas a estratégia falhara novamente.
Preso há sete meses, estava ensandecido com sua defesa, chamada de incompetente por ele. O que fazer? Uma carta criticando a Operação Lava-Jato, assinada por dezenas, talvez por mais de uma centena de advogados, sugeriu o defensor de Marcelo, Nabor Bulhões, junto a dez dos 104 advogados que assinam o manifesto.
Foi a defesa de Marcelo Odebrecht, a cargo de Bulhões, que produziu o manifesto que acusa a Lava-Jato de usar métodos piores que os da ditadura e compara a investigação à Inquisição. A carta ensejou duras respostas de procuradores e juízes, que a acusaram de ser “falatório” e parte de um “complô” dos advogados. O presidente do PT, Rui Falcão, soltou uma nota apoiando-a.
Nabor disse que assinou a carta como profissional do direito, não como advogado de Marcelo. Segundo ele, atribuir protagonismo a algum advogado pela elaboração do documento “seria ignorar o sentimento geral de perplexidade” dos que o assinaram. A estratégia para abalar a Lava-Jato teve também a participação de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, de Mônica, mulher do executivo, e advogados da empresa.
A ideia de criticar os métodos da Lava-Jato foi acertada entre Nabor e Emílio em Salvador, onde o patriarca dos Odebrecht mora. A reunião ocorreu logo após Lewandowski negar pedido de liberdade para Marcelo durante o plantão do Supremo, no dia 8 de janeiro.
A Odebrecht confirma que a reunião ocorreu, mas, segundo a companhia, foi para tratar da fase final do processo de Marcelo. O texto foi escrito no escritório de Bulhões em Brasília e submetido à cúpula da Odebrecht para aprovação. Emílio fez mais do que cobrar uma reação mais dura dos advogados. (Folhapress)
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