Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de abril de 2018
Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram, na noite de quinta-feira (05), com um novo pedido de habeas corpus junto ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), informou a assessoria do Instituto Lula. O argumento é que o juiz federal Sérgio Moro, que determinou a ordem de prisão de Lula, “contraria” decisão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Pela decisão de Moro, Lula precisa se apresentar até as 17h desta sexta-feira (06) à PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR).
Em nota enviada antes de entrar com o recurso, a defesa de Lula condenou a decisão de Moro. “A expedição de mandado de prisão nesta data contraria decisão proferida pelo próprio TRF-4 no dia 24/01, que condicionou a providência – incompatível com a garantia da presunção da inocência – ao exaurimento dos recursos possíveis de serem apresentados para aquele tribunal, o que ainda não ocorreu”, diz o texto.
“A defesa sequer foi intimada do acórdão que julgou os embargos de declaração em sessão de julgamento ocorrida no último dia 23/03. Desse acórdão ainda seria possível, em tese, a apresentação de novos embargos de declaração para o TRF-4”, conclui o comunicado.
Lula passou a noite de quinta-feira (05) e a madrugada desta sexta-feira na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), com lideranças do PT, após ter a ordem de prisão expedida por Moro. O juiz vetou o uso de algemas no ex-presidente da República “em qualquer hipótese”.
Um grupo de manifestantes também passou a madrugada em frente à sede do sindicato. Pouco antes de 1h, Lula cumprimentou os militantes que estavam no segundo andar do prédio do sindicato. A sua última aparição foi registrada às 2h, quando o ex-presidente acenou para apoiadores que permaneciam do lado de fora.
Repercussão
Minutos após o juiz Sérgio Moro determinar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entregue à Polícia Federal, jornais estrangeiros já publicavam em seus sites a decisão do magistrado. As publicações destacaram a rapidez de Moro, que ordenou a prisão cerca de 18 horas depois da decisão do STF de negar habeas corpus para o petista. Os jornais também citam as pretensões eleitorais de Lula, que aparece em primeiro lugar nas pequisas de intenção de voto para a Presidência da República.
O The Washington Post explicou que Moro, além de ser o autor da ordem de prisão, também foi o magistrado responsável por condenar o ex-presidente. O Clarín ressaltou as pretensões de Lula de disputar novamente a Presidência da República. A emissora de TV americana ABC News destacou uma declaração da senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, em que ela diz que a prisão de Lula “transformaria a maior nação da América Latina em uma república de bananas”.
A ordem para o cumprimento da pena de Lula também tornou-se a manchete do jornal francês Le Monde: “Juiz brasileiro emite mandado de prisão contra ex-presidente Lula”.
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