Quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 17 de janeiro de 2018
O advogado do presidente Michel Temer, Antonio Claudio Mariz, informou ao programa Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do jornal O Estado de S. Paulo, que vai apresentar nesta quinta-feira (18) as respostas às 50 perguntas que foram encaminhadas a Temer pela PF (Polícia Federal) no inquérito sobre suposto esquema de corrupção no Porto de Santos.
Havia a expectativa de que as respostas pudessem ser protocoladas nesta quarta-feira, mas o advogado ainda fará uma revisão final. “As respostas serão protocoladas amanhã (quinta-feira)”, disse Mariz. As respostas serão protocoladas no Supremo Tribunal Federal (STF) e o relator do inquérito na Corte é o ministro Luís Roberto Barroso.
No início desta semana, Temer recebeu no Palácio do Planalto o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, e o subchefe de Assuntos jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, que estava interinamente como ministro da Casa Civil, já que Eliseu Padilha estava de férias até esta quarta-feira (17). Segundo o Planalto, no entanto, a conversa foi sobre “segurança pública e segurança nas fronteiras”, e não teria tratado das respostas à PF.
Na semana passada, o presidente teve um encontro com Mariz, em São Paulo. Na ocasião, Mariz afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que Temer vai responder a todas as perguntas, apesar de sua defesa considerar alguns dos questionamentos “impertinentes”. Ao contrário do ano passado, quando em junho ignorou a PF e não respondeu a nenhuma das 82 indagações feitas no âmbito de outro inquérito – sobre corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa no caso do Grupo J&F –, desta vez o presidente decidiu responder.
Esperança
“Nossa esperança é que, com as respostas, a denúncia contra o presidente não venha”, afirmou o criminalista. Mariz de Oliveira criticou questões mais incisivas como a que pergunta a Temer se ele “recebeu alguma oferta de valor, ainda que em forma de doação de campanha eleitoral, formal ou do tipo ‘caixa dois’, para inserir dispositivos no novo decreto dos portos, mais benéficos para empresas concessionárias do setor? Se sim, explicitar as circunstâncias e quais providências tomou”.
“Perguntar se o presidente recebeu dinheiro é tão agressivo que nem merece resposta”, afirmou Mariz de Oliveira, destacando que até mesmo esses questionamentos serão respondidos.
A estratégia da defesa é diferente daquela adotada em junho do ano passado, quando a Polícia Federal enviou 82 questões ao presidente sobre fatos envolvendo a delação de Joesley Batista, dono da J&F que hoje está preso. Na época, os advogados do peemedebista enviaram ao STF uma petição criticando as perguntas além de um pedido de arquivamento do inquérito em que Temer era investigado pelos crimes de suspeita de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa.
“Naquela época avaliamos que as perguntas estavam fora do ambiente da investigação e que Rodrigo Janot, que era o procurador-geral, já tinha anunciado que iria denunciar o presidente. Hoje o momento é outro, com outra procuradora-geral”, disse o criminalista referindo-se à Raquel Dodge, que foi nomeada ao cargo por Temer e está no cargo desde 18 de setembro.
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