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Política A defesa do ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, preso pela Polícia Federal, apresenta à Justiça provas de que ele não ia fugir

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Ao explicar os detalhes da mais recente etapa da operação, o Ministério Público Federal do Paraná afirmou que só havia localizado a passagem de ida de Bendine para Portugal. (Foto: Divulgação)

A defesa do ex-presidente do BB (Banco do Brasil) e da Petrobras Aldemir Bendine apresentou, nessa segunda-feira, à Justiça Federal as reservas dos hotéis onde o cliente ficaria hospedado na Europa entre 29 de julho e o dia 18 de agosto.

“Note-se que há reservas para todo o período compreendido entre os dias 29 de julho e 18 de agosto, sendo que em 19 subsequente, pela manhã, retornaria ao Brasil via Portugal, conforme já devidamente comprovado, o que evidencia que o motivo da saída – temporária – do peticionário do país era uma viagem de férias com a família, previamente organizada”, diz um trecho da petição protocolada pelos advogados de Aldemir Bendine.

Na sexta-feira, a defesa do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras já tinha apresentado à Justiça Federal o extrato do cartão de crédito com as dez parcelas de uma passagem aérea. Portanto, para a defesa são “incabíveis quaisquer conjecturas acerca de uma possível fuga, a despeito da existência de passagem de retorno”.

Aldemir Bendine foi preso, na quinta-feira, na deflagração da 42ª fase da Operação Lava-Jato. Ele é suspeito de receber  3 milhões de reais em propina do Grupo Odebrecht.

Parcelamento

Ao explicar os detalhes da mais recente etapa da operação, o Ministério Público Federal do Paraná afirmou que só havia localizado a passagem de ida de Bendine para Portugal.

No despacho que autorizou a prisão de Aldemir Bendine, o juiz federal Sérgio Moro – responsável pelos processos da Operação Lava-Jato na primeira instância – cita que isso poderia indicar risco de fuga. Ainda na quinta, o advogado de Aldemir Bendine disse que o cliente tinha passagem de volta ao Brasil. Os documentos apresentados à Justiça Federal ainda mostram que a passagem de ida foi comprada com pontos de milhagem, enquanto a volta foi parcelada.

Mensagem de texto

Mensagens de texto enviadas por Aldemir Bendine e pelo publicitário André Gustavo Vieira da Silva citam o local onde teria ocorrido uma suposta reunião para tratar de pagamento de propina. O endereço é citado na delação do ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht, e do ex-executivo da empreiteira, Fernando Reis.

De acordo com Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, Aldemir Bendine pediu  3 milhões de reais em propina ao assumir a presidência da Petrobras. Os pagamentos seriam intermediados entre Reis e André Gustavo, tendo Bendine como beneficiário final. O encontro onde tudo foi definido ocorreu em Brasília.

Intimidação

A Procuradoria destaca uma tentativa de intimidação de um ex-motorista do Banco do Brasil, que depôs em inquérito que investigava irregularidades na gestão de Bendine. Uma anotação manuscrita apreendida na casa do ex-diretor faz referência a uma ligação ao motorista, ao lado da frase “para dissuadi-lo a não depor no MPF”.

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