Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de maio de 2017
O conteúdo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, e do diretor da J&F Ricardo Saud, na Operação Lava-Jato motivou o afastamento do senador Aécio Neves (PMDB-MG) do Senado federal, por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Edson Fachin, relator da Lava-Jato.
As denúncias também levaram à prisão da irmã de Aécio, Andrea Neves, e o primo do senador afastado Frederico Pacheco de Medeiros. Andrea foi presa por ter sido apontada pelos delatores como a pessoas que pedia dinheiro em nome do irmão. Ela é apontada como operadora do senador nas investigações da Lava-Jato. Frederico foi preso por ter sido flagrado por filmagens recebendo dinheiro de agentes da JBS.
Veja alguns pontos das delações, sobre o senador Aécio Neves.
Recursos
Em uma gravação entregue por Joesley Batista ao Ministério Público Federal, Aécio Neves e o empresário acertaram o pagamento de R$ 2 milhões para pagar advogados que defendem o tucano em investigações da Lava-Jato.
Em outro ponto da delação, Joesley disse que vendeu um “imóvel superfaturado por R$ 17 milhões” a uma pessoa indicada por Aécio, e que o objetivo da transação era fazer o dinheiro chegar até o senador do PSDB de Minas. Segundo o empresário, o pagamento foi por via bancária “oficial”.
O documento da PGR (Procuradoria-Geral da República) que relata o depoimento de Joesley afirma que a venda ocorreu depois de uma campanha eleitoral de Aécio, mas não especifica o ano. Segundo o delator, o grupo foi “o maior doador de Aécio”, que teria recebido doações também por caixa 2.
Ação no TSE
Em conversa gravada entre o senador afastado e Joesley Batista, o tucano conta ao empresário que o presidente Michel Temer pediu a ele que retirasse a ação contra a chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) depois que Dilma Rousseff sofreu impeachment. A conversa foi captada por Joesley com um gravador escondido em um hotel de São Paulo.
“A Dilma caiu, a ação continuou, e ele quer que eu retire a ação. Cara, só que, se eu retirar, e não estou nem aí, eu não vou perder nada, o Janot [procurador-geral da República] assume, o Ministério Público assume essa m…”, diz Aécio na conversa.
Leis de anistia ao caixa 2 e abuso de autoridade
No termo da delação premiada que Joesley Batista, consta também que, em uma conversa, Aécio defendeu que era preciso aprovar a lei de anistia ao caixa 2 e a do abuso de autoridade. O senador afastado teria dito que “só cuidava dessas questões” e que já estava articulando com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com o presidente Michel Temer pela aprovação desses projetos no Congresso.
Versão de Aécio
A defesa de Aécio divulgou uma nota sobre as acusações de que teria recebido R$ 2 milhões de Joesley Batista. O texto afirma que o pedido de dinheiro ao empresário se tratou, “única e exclusivamente de uma relação entre pessoas privadas, em que o senador solicitou apoio para cobrir custos de sua defesa, já que não dispunha de recursos para tal”.
O documento também traz um manifesto de Aécio sobre a prisão de sua irmã. “O senador manifesta sua incompreensão e inconformismo pelo pedido de prisão preventiva de sua irmã Andrea Neves, que nada mais fez do que atender seu pedido de levar ao empresário, uma vez que o senador se encontrava em Brasília, a proposta de venda do apartamento da família.”
Quem assina a nota é José Eduardo Alckmin, advogado de Aécio Neves.
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