Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de agosto de 2017
O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), chamou de “monstruosa” a delação premiada do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa. O caso chegou ao gabinete dele para homologação – o que ainda não ocorreu – e chama atenção pelo grande volume de informações. “Essa é monstruosa. Depois da Lava-Jato, é a maior operação”, afirmou o ministro.
Em março, o blog de Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, informou que um dos alvos de Silval seria o atual ministro da Agricultura Blairo Maggi, que também já foi governador de Mato Grosso. Blairo exerceu o cargo de 2003 a 2010, sendo sucedido por Silval, que ficou no posto de 2010 a 2014. Silval, que chegou a ser preso, foi inclusive vice de seu antecessor.
Operação Sodoma
Silval, junto com o ex-chefe de gabinete, Sílvio César Correia Araújo, e ex-secretário-adjunto de Transportes e Pavimentação Urbano, Valdísio Juliano Viriato, confessaram os crimes investigados na 5ª fase da Operação Sodoma e revelaram a participação do advogado e ex-secretário de Administração, Francisco Anis Faiad, no suposto esquema de corrupção. De acordo com a denúncia, a alta cúpula do Governo do Estado teria “forçado” a Marmeleiro Auto Posto a pagar uma dívida de campanha da 2012 de Faiad e de Lúdio Cabral à prefeitura de Cuiabá, no valor de R$ 1,7 milhão.
Em troca, a empresa mantinha seu contrato com o poder executivo estadual. As fraudes deverão ser confirmadas em depoimentos dos réus na operação. O ex-secretário adjunto da Setpu-MT tem depoimento agendado para o dia 18 de setembro de 2017 referente a quinta fase da Sodoma. Já o ex-governador Silval Barbosa tem audiência com a Justiça no dia 29 do mesmo mês, mesma data em que depõe Sílvio Correia.
A informação consta da decisão a juíza Selma Arruda rejeitou um recurso do próprio Faiad contra a juíza da Sétima Vara Criminal, Selma Rosane Santos Arruda, proferida no dia 27 de julho. O ex-secretário pedia o afastamento da magistrada do caso alegando “inimizade”.
O advogado chegou a ser preso em 14 de fevereiro de 2017, mas foi solto uma semana depois, no dia 21 do mesmo mês, após pagar fiança de R$ 192 mil. Na sentença onde nega ser suspeita de julgar a ação, Selma Arruda determina a juntada dos depoimentos de Silval Barbosa, Sílvio Corrêa e Valdísio Viriato. “Faço juntar a esta decisão cópias dos depoimentos de Silval da Cunha Barbosa, Silvio Cesar Correa Araújo e Valdísio Juliano Viriato, que delatam a participação de Francisco Faiad nos fatos, reforçando, assim, os fundamentos da prisão preventiva decretada em seu desfavor, que gerou a interposição desta exceção”, diz trecho da decisão.
Além dos depoimentos das pessoas que faziam parte da cúpula da gestão Silval Barbosa, Selma Arruda também determinou que fosse juntado ao processo cópias digitalizadas da quinta fase da Operação Sodoma. Além do pagamento de propina para quitar dívida da campanha de 2012, a operação investiga o pagamento de “mensalinho” por parte do posto para manter o contrato com o Executivo.
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