Sábado, 29 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 29 de novembro de 2025
Zelensky se vê fragilizado diante de um escândalo de corrupção que tem minado seu governo.
Foto: Presidente Of UkraineUma delegação de negociadores ucranianos viajou neste sábado (29) para os Estados Unidos com o intuito de aprofundar as conversas sobre o plano de Washington para encerrar a guerra, disse o presidente ucraniano Volodimir Zelensky.
“O secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia e chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, junto com a equipe, já está a caminho dos Estados Unidos”, disse Zelenski em uma publicação no X.
Zelensky se vê especialmente fragilizado neste momento da negociação, diante de um escândalo de corrupção que tem minado seu governo. Uma investigação derrubou nesta sexta (28) Andrii Iermak, o chefe de gabinete da Presidência e segundo homem mais poderoso do país, responsável justamente por coordenar a posição ucraniana nos diálogos do acordo de paz com a Rússia proposto pelo governo de Donald Trump.
Em nota, o Escritório Nacional Anticorrupção (Nabu, na sigla local) e a Procuradoria especializada Anticorrupção (Sapo) afirmaram que a Justiça autorizou uma operação na casa do político, mas não revelaram o teor da apuração. Sua saída foi anunciada logo depois por Zelenski, que disse ser necessário manter “a unidade nacional”.
A ação provavelmente teve a ver com o megaescândalo relacionado ao desvio de ao menos US$ 100 bilhões (R$ 530 bilhões) do setor de energia, que derrubou os ministros da área e da Justiça. Iermak afirmou que está colaborando com as apurações.
As duas agências que investigam Iermak, visto amplamente como quem dá as cartas na política ucraniana pelo lado do governo, tinham sido objeto de polêmica em junho.
Zelenski tentou tirar o poder delas de investigar pessoas em altos cargos, caso de Iermak, o que levou aos primeiros grandes protestos de rua contra o presidente desde que Vladimir Putin invadiu seu país, em fevereiro de 2022.
Pressionado em casa e pelos aliados, que doaram cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 8 trilhões) para o esforço de guerra até agora e querem saber para onde vai o dinheiro, o presidente recuou da proposta.
O momento não poderia ser pior para o ucraniano, que tem no ex-chefe das Forças Armadas Valeri Zalujni o principal candidato a sucessor —quando houver eleições, já que o estado de sítio impede a realização de pleitos mesmo com o mandato de Zelensky tendo expirado em maio do ano passado.