Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Delegada acusada de golpe planejou barrar eleitores de Lula para reeleger Bolsonaro, afirma a Procuradoria-Geral da República

Compartilhe esta notícia:

Formada em direito pela Universidade de Brasília, Marília de Alencar é delegada da PF há 17 anos. 

Foto: Câmara Legislativa
Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do DF. (Foto: Câmara Legislativa/Reprodução)

O segundo turno das eleições de 2022 foi marcado por tensão devido a uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na época sob comando do governo de Jair Bolsonaro — para fiscalizar a circulação de ônibus em áreas de forte base eleitoral do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em especial na região Nordeste.

A operação, que desrespeitava uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibindo a PRF de qualquer ação no transporte público no dia da votação, levou o então presidente da Corte, Alexandre de Moraes, a ameaçar de prisão em flagrante o então diretor da instituição, Silvinei Vasques.

Dois anos e meio depois, Vasques e mais cinco denunciados podem virar réus no Supremo Tribunal Federal (STF) a partir desta terça-feira (22), acusados de participar de uma suposta trama golpista para evitar a eleição de Lula e manter Bolsonaro no poder.

Faz parte do grupo a única mulher denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) entre os 34 acusados de organizar e implementar a tentativa de golpe de Estado — a delegada da Polícia Federal (PF) Marília Ferreira de Alencar, que foi diretora de Inteligência no Ministério da Justiça no final do governo Bolsonaro e teria municiado a operação da PRF com informações sobre os municípios com mais eleitores de Lula.

Além disso, Alencar também é acusada de ter contribuído para que as forças de segurança do Distrito Federal (DF) não impedissem bolsonaristas radicais de invadir e vandalizar as sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro de 2023.

Na ocasião, ela era subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do DF, nomeada pelo então secretário de Segurança Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e também acusado de participar da trama golpista.

A delegada nega as acusações e contratou para defendê-la o advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça do governo de Dilma Rousseff (PT). Um dos argumentos da defesa é que o próprio Ministério Público Federal arquivou um inquérito civil contra Alencar, após não encontrar evidências de sua omissão no 8 de janeiro.

Segundo a acusação, os seis denunciados que serão julgados agora formam o “núcleo de gerenciamento das ações” ordenadas pelo núcleo crucial. Para a PGR, eles teriam direcionado a atuação de órgãos policiais, coordenado o monitoramento de autoridades, mantido contato com manifestantes acampados ou elaborado minutas golpistas.

Além de Silvinei Vasques e Marília de Alencar, estão nesse núcleo o delegado federal Fernando de Sousa Oliveira, o general da reserva Mário Fernandes, o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara e Filipe Garcia Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro — todos negam qualquer ilegalidade.

Na terça, a Primeira Turma do STF — formada por Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin — começa a julgar se há elementos suficientes para abrir um processo criminal contra eles por cinco crimes: golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Marília

Formada em direito pela Universidade de Brasília, Marília de Alencar é delegada da PF há 17 anos. No governo Bolsonaro, foi diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública durante a gestão de Anderson Torres (2021-2022).

Com a derrota de Bolsonaro na eleição de 2022, Torres virou secretário de Segurança do DF e levou os dois para sua equipe: Oliveira se tornou secretário-executivo da pasta e Alencar, subsecretária de Inteligência.

Segundo a acusação, Marília de Alencar foi quem determinou a elaboração de um relatório mapeando as cidades em que Lula teve votação expressiva no primeiro turno para orientar a operação de blitze da PRF nessas localidades.

De acordo com depoimento à PF de Clebson Ferreira de Paula Vieira, analista de inteligência encarregado da coleta de dados, Alencar lhe solicitou relatórios com as cidades em que Lula ou Bolsonaro receberam mais de 75% dos votos, que foram produzidos com o Business Intelligence (BI), ferramenta de dados usada pela PF.

Ainda segundo ele, depois ela teria solicitado a impressão apenas dos resultados do petista, que concentrava cidades do Nordeste. Na sequência, ela teria relatado ter notado coincidência entre essas cidades e os locais da operação da PRF no segundo turno.

A PGR também aponta como provas mensagens recuperadas do celular da delegada pela PF, que haviam sido apagadas e estavam gravadas em nuvem. Segundo a acusação, logo após o resultado do primeiro turno, em 2 de outubro, a denunciada teria enviado a seguinte mensagem a Oliveira: “Temos que pensar na ofensiva quanto a essas pesquisas”.

Foi identificado pela PF também um grupo de WhatsApp intitulado “EM OFF” que era formado por ela, Oliveira e Leo Garrido Meira Salles, então coordenador-geral de Operações da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência do Ministério.

Em 13 de outubro de 2022, por exemplo, Alencar teria enviado mensagem no grupo afirmando que em “belford roxo [cidade do Rio de Janeiro] o prefeito é vermelho precisa reforçar pf” e “menos 25.000 votos no 9 [em referência a Lula]”.

Em seguida, diz a PGR, ela teria perguntado a Oliveira qual seria o próximo passo sobre os relatórios e teria recebido a resposta: “52 x 48 são milhões 5 de votos para virar”, indicando que seriam necessários cinco milhões de votos para virar o resultado das eleições.

A defesa de Alencar reconhece a produção dos relatórios de inteligência sobre as cidades com maior votação para Lula e Bolsonaro. Alega, porém, que o levantamento buscava identificar indícios de compra de votos.

Além de negar qualquer ilegalidade na produção dos relatórios, a defesa enfatiza que Alencar não tinha qualquer autoridade sobre a PRF, não podendo ser responsabilizada pela atuação da polícia nas rodovias.

A defesa também contesta as mensagens apresentadas como prova pela PF, já que o conteúdo foi recuperado em ordem embaralhada, tendo seu sentido “inferido” pela investigação.

Seu advogado reclama ainda que não teve acesso à íntegra do material apreendido na investigação, seja nos celulares e computadores dos investigados, seja o que foi fornecido por Clebson Ferreira, analista que extraiu os dados por ordem de Alencar. As informações são do portal de notícias BBC Brasil.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

5 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Getulio S. Dias Academico
22 de abril de 2025 00:28

quem deveria manter a lei, se corrompe.

Vanderlei Ochoa
22 de abril de 2025 02:32

Não. Eles só foram passear na praça dos três poderes e daí os infiltrados formaram eles a quebrarem tudo…quaquaquaqua

Artur Borba
22 de abril de 2025 10:25

O governo vai retirar o bolsa,familia e modificaram a forma de reajuste salarial baixando o teto e quem ganha, acima, fica de fora. Arminio fraga disse pra taxad congelar Salário mínimo por seis anos. Quero mais que este povinho se phoda.

Miltch Mitch
22 de abril de 2025 10:29

Estão pendendo os mocinhos e soltando os bandidos.
Mas em 2026 termos uma nova geração no TSE, aí o jogo vai ser limpo.

Anderson Cardoso da Silva
22 de abril de 2025 14:21

Quem soltou Lula da Cadeia ?

Mensagens inéditas implicam a mãe de Bruno Henrique em esquema de apostas
Projetos financiados pelo BRDE reduzem em 1 milhão de toneladas a emissão anual de gás carbônico no RS
Pode te interessar
5
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x