Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 20 de junho de 2026
O Ministério da Saúde oficializou a compra de 18 milhões de doses da vacina da farmacêutica japonesa Takeda para dengue. O imunizante – com aplicação em duas doses – é oferecido neste momento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O volume já havia sido previamente divulgado, mas nesta semana a pasta oficializou no Diário Oficial da União o acordo, no valor de R$ 1,57 bilhão e com entregas previstas até 2027.
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “adquiriu todas as doses da vacina contra a dengue disponibilizadas pelo laboratório Takeda”. A empresa, por outro lado, informou que a quantidade de doses fornecida ao Ministério da Saúde foi definida em 2025. Neste momento, a Takeda defende que ‘após esforços de ampliar a distribuição, possui disponibilidade para fornecer um volume de doses sensivelmente superior ao contratado, visando suprir essa necessidade em saúde pública”.
As primeiras doses, diz a farmacêutica, já começam a chegar nos próximos 30 dias, para quando está prevista uma entrega de 4 milhões de doses. O restante deverá ser integrado ao sistema até agosto de 2027, conforme o acerto entre o governo federal e a empresa nipônica.
Até 2025, a Takeda enviou 15,6 milhões de doses ao Brasil. O país é o principal cliente para essa vacina. Estima-se que até 80% da produção global seja destinada ao país. O mercado privado também disponibiliza a vacina para pessoas de 4 a 60 anos. O imunizante, diz o registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), protege contra os quatro sorotipos de dengue.
Butantan
A continuidade do acordo com a Takeda se dá em paralelo à investigação que envolve a vacina, também contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante em dose única teve o uso suspenso no começo deste mês, após o surgimento de efeitos adversos graves e não identificados nos estudos em pacientes.
A pausa, explicou o ministro Alexandre Padilha na ocasião da suspensão, tem a ver com a necessidade de se compreender se o oferecimento da vacina pode estar de alguma forma relacionado a esses quadros de saúde. Dentre os registros que causam maior preocupação, há dois óbitos, ambos de profissionais de saúde que tinham recebido a Butantan-DV recentemente. O ocorrido, é importante reforçar, continua sob investigação e não há determinação de que, de fato, são fruto do uso do imunizante.
Em entrevista ao jornal O Globo, na semana passada, o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás afirmou que avalia desdobramentos em estudos já existentes para “contribuir com a base de dados” de informações sobre a vacina junto ao Ministério da Saúde.
“Temos que nos debruçar sobre as bases de dados, aprofundar os estudos desses casos onde ocorreram relatos de efeitos adversos ou reações. E tentar esclarecer, um por um, para saber o que de fato pode ser relacionado à vacina e o que pode ser somente uma coincidência”, disse.
Até a suspensão, a vacina do Butantan tinha sido usada em 500 mil brasileiros. Uma parte deles, cerca de 80 mil, fizeram parte de uma a vacinação piloto em em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). A ideia da análise, entre outros pontos, era avaliar o quanto da população de uma região precisaria ser vacinada para que a imunidade coletiva já fizesse frente ao avanço da doença. Dentre essas pessoas vacinadas não houve identificação de efeito adverso grave, apenas em trabalhadores de área da saúde, outro grupo que recebeu as aplicações. (Com informações do jornal O Globo)
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